28 de novembro de 2022


Desorganização atrapalha cobertura da JMJ


Por Igor Waltz*

29/07/2013


Papa Francisco acena para fiéis em sua chegada à Copacabana, onde foi celebrada a Missa de Envio, no domingo, 285 de julho (Crédito: Valor Econômico)

Papa Francisco acena para fiéis em sua chegada à Copacabana, onde foi celebrada a Missa de Envio, no domingo, 28
de julho (Crédito: Valor Econômico)

Profissionais de imprensa do Brasil e do exterior tiveram dificuldades para trabalhar durante a cobertura da Jornada Mundial da Juventude – JMJ, no Rio de Janeiro, entre os dias 25 e 28 de julho. A falta de organização, mau tempo e insegurança foram os principais inimigos dos mais de seis mil repórteres credenciados para o megaevento católico, que trouxe ao País o papa Francisco em sua primeira viagem internacional como pontífice.

Os problemas começaram antes mesmo do início da Jornada. Segundo o Portal Terra, momentos antes da chegada do Santo Padre ao Brasil, repórteres do veículo encontravam dificuldades para a retirada das credenciais, tendo passado por diversas tentativas sem sucesso no ponto de coleta. Já o Jornal do Brasil relatou que seus profissionais tiveram problemas para ter acesso a pontos do evento, mesmo com as credenciais.

De acordo com o JB, na quinta-feira, 25 de julho, jornalistas não conseguiram encontrar a entrada da imprensa para cobrir a cerimônia do papa no palco armado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Os que conseguiram tiveram que discutir com funcionários que faziam barreira na entrada. Além disso, vários carros de reportagem de emissoras foram barrados na porta do Túnel Novo, via de acesso ao bairro para quem vem do Centro do Rio, fazendo as equipes seguirem à pé com os equipamentos.

No mesmo dia, a repórter Cristina Nascimento, do jornal O Dia, diz ter sido barrada junto com outros colegas brasileiros no encontro do Papa com conterrâneos argentinos na Catedral Metropolitana, no Centro do Rio. Embora não houvesse restrição de nacionalidade e nem mesmo credenciamento, brasileiros teriam sido hostilizados por argentinos, sob a alegação que a cobertura do evento era exclusiva para os veículos do país vizinho. “Recebi beliscões nas pernas e socos nas costas. Foi uma das situações mais humilhantes e constrangedoras”, conta Cristina.

Antes de sair da redação, por volta das 9h40, a profissional ligou para a organização e perguntou se havia necessidade de credenciamento ou algum tipo de pulseira para identificar a imprensa, e foi informada de que não era necessário. “Quando cheguei, já havia um grupo de argentinos e profissionais brasileiros. Quando volta de 10h40 veio uma informação: prioridade para jornalistas brasileiros e argentinos. Quando eles falaram isso, os argentinos começaram a falar: ‘Não brasileiros. Isto é uma cobertura exclusiva dos argentinos'”, explica.

Cristina afirma que os organizadores comunicaram à Polícia Militar (PM) para que só argentinos entrassem. “Começaram a passar os argentinos, eu estava na frente e fiquei retrucando, falando que era absurdo. Por volta de 12h10 o PM me deixou entrar – entrei chorando, porque eu estava no meu limite”. Mesmo com a autorização para acompanhar a cerimônia, Cristina disse que brasileiros tiveram que se sentar no chão, enquanto os profissionais argentinos tinham lugar garantido no banco. “Fiquei muito surpresa, porque somos jornalistas, independentemente da nacionalidade. Fiquei assustada com a reação da mídia argentina”.

Furtos e espaços de imprensa inadequados

Na quarta-feira, 24 de julho, durante a visita do pontífice ao Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida do Norte, interior de São Paulo, quatro jornalistas de diferentes tiveram seu material furtado de dentro da sala de imprensa, montada para o evento.

Foram levados um notebook, uma máquina fotográfica Canon, um tablet e uma lente de 600 mm, avaliada em R$ 40 mil. A PM cercou a sala e revistou jornalistas que passavam pelo local. Mais de três mil profissionais se credenciaram para o evento.

Durante a noite, já no Rio, o Papa Francisco participou da cerimônia de inauguração de uma ala para dependentes químicos no Hospital São Francisco, na Tijuca. Segundo jornalistas que estavam no local e não quiserem se identificar, repórteres, profissionais de TV e fotógrafos tiveram que disputar espaço em uma área restrita à imprensa debaixo de chuva. A visão do papa foi prejudicada por árvores no local e o sistema de som dificultava o entendimento do que era falado.

Apesar de terem chegado de três a quatro horas de antecedência, e mesmo antes da chegada do papa, repórteres foram impedidos pela assessoria de deixar o espaço para conversar com os convidados.

*Com informações de O Globo, Comunique-se, Portal Terra e Jornal do Brasil.

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