Jornalista expulsa da China volta para Paris


Por Edir Lima

01/01/2016


ursulaUm artigo que criticava a política repressiva exercida por Pequim provocou a expulsão de Ursula Gauthier , correspondente na China do jornal francês L’Obs, do país. Ela chegou a Paris nesta sexta-feira (1) de manhã. A jornalista havia deixado o país asiático na quinta-feira (31), depois que as autoridades se recusaram a renovar o seu visto de jornalista após a publicação de um artigo no qual criticava a política repressiva exercida por Pequim em Xinjiang, uma região predominantemente muçulmana no oeste da China.

O artigo da jornalista “defende claramente o terrorismo e assassinatos cruéis de inocentes, causando indignação do povo chinês”, declarou recentemente o ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

“Eu não consigo estabelecer um diálogo com a China há um mês e meio, é kafkiano”, lamentou Gauthier na quinta-feira em seu apartamento em Pequim, horas antes de deixar o país.

A correspondente, que passou seis anos na China, disse que estava “cansada” antes de guardar, visivelmente emocionada, várias malas no carro de um amigo que a levou para o Aeroporto Internacional de Pequim.

“Tudo isso por causa de um artigo analítico sobre uma situação, um artigo feito por todos os outros meios de comunicação do mundo”, declarou em sua chegada ao aeroporto Charles de Gaulle.

“Vou continuar a escrever sobre a China”, garantiu a jornalista.

A chancelaria francesa, assim como a de outros países europeus, tentou impedir a expulsão, segundo um comunicado oficial do governo francês.

É a primeira vez que um correspondente estrangeiro é expulso da China desde 2012, quando as autoridades expulsaram Melissa Chan, que trabalhava para o canal de notícias Al-Jazeera do Catar

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