O prédio da ABI



fachada_predioABIO prédio da ABI é referencial para a arquitetura moderna brasileira, que já na década de 30 esboçava o conceito de funcionalidade. A construção do edifício se deu no momento em que Herbert Moses assumia a presidência da Associação e deixava sua marca para a posteridade.

São comuns as visitas às instalações da ABI, dada sua importância no contexto arquitetônico. A execução das obras no Edifício Herbert Moses honrou a técnica nacional. Nenhum parafuso foi colocado no prédio sem consultar o projeto. Técnicas pioneiras apresentadas por Le Corbusier foram adotadas, além de outras características representativas da evolução da arquitetura moderna.

O hall de entrada do edifício é todo revestido de granito. Na época, o teto dos escritórios do 2º, 3º, 4º e 5º andares foi confeccionado com fibra prensada para obstrução do som. As paredes do 7º andar até hoje são revestidas de placas de sucupira do Pará. O Auditório Oscar Guanabarino, no 9º andar, permanece como espaço para grandes festas e comemorações.

Herbert Moses declarou, em 1940, seu amor ao edifício que leva seu nome:
— Daí, talvez o sentido perfeito que procuro dar à Casa do Jornalista. Olho-a de frente, erguida nos seus 13 andares muito brancos, sem sombra, protegidos do calor, amenizados do sol, sorridentes, convidativos, sem contornos. Em cima, as suas flâmulas; embaixo, a agitação, a vida multiplicada na energia de suas atividades.

Estímulo à reunião e ao convívio

O brise-soleil

Construído em três anos, de 1936 a 1939, o prédio destaca-se inclusive por ter sido nele utilizada pela primeira vez a solução apresentada pelo legendário Le Corbusier para o problema do excesso de luz — o brise-soleil, quebra-sol através de persianas de concreto na fachada — e outras características que marcam a evolução da arquitetura moderna, como estrutura independente, teto-jardim, fachada livre e plano livre.

O projeto de construção do prédio gera controvérsias. Segundo a Ilustração Brasileira, de setembro de 1940, a autoria é dos irmãos Marcelo e Milton Roberto. Já a Revista da Construção Civil, de outubro de 1978, inclui o terceiro irmão, Maurício, como co-autor. De qualquer maneira, a execução da obra se deu a partir de um concurso instituído por Herbert Moses em 1936, quando foi avaliada em 13 mil contos de réis. O dinheiro foi conseguido pelo próprio Moses através de solicitação pessoal a Getúlio Vargas, por intermédio do ministro Osvaldo Aranha. O empréstimo foi levantado no Banco do Brasil. Na ocasião, Getúlio Vargas recebeu o título de Presidente de Honra da Casa e Moses foi agraciado como Grande Benemérito.

O edifício-sede da ABI foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Estadual em 1965. Sua principal característica é a unidade, que dá a tônica do conjunto, tanto nas soluções plásticas quanto nas estruturais. “Suas soluções continuam sendo adaptadas por outros projetos e o estilo de construção jamais foi igualado”, declarou Maurício Roberto, em depoimento de 1948. “A sede da ABI permanece como um prédio ímpar na cidade. Tão necessário a ela quanto o Pão de Açúcar e o Corcovado.”

Em entrevista ao repórter Manolo Epelbaum para o Boletim da ABI, edição de abril de 1978, o arquiteto Alfredo Brito, então professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que se inspirava no projeto do prédio da Casa do Jornalista para mostrar a seus alunos o caráter inovador da construção 40 anos após a sua realização.

Ele destacou, na parte interna do prédio, “a iluminação uniforme, ressaltando a harmonia e o caráter de unidade de toda a construção — das luminárias aos móveis, a divisão das salas e distribuição dos balcões e a colocação das sacadas”. A amplitude dos halls, explicou, especialmente o da entrada e o do nono andar, “enseja a presença de grande número de pessoas, em reuniões e festividades”.

A amplitude da entrada da ABI, que surge de repente numa esquina movimentada, tem um caráter de praça. Essa disposição marca também as demais peças do projeto, convidando à reunião e ao congraçamento das pessoas. Pelos fundos, dá passagem para a Rua Pedro Lessa e, no terraço, havia um jardim concebido como ponto de lazer.