Mais de dois mil jornalistas morreram desde 1990


04/02/2016


relatório

Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe do jornal ‘Charlie Hebdo’ mortos em ataque à sede em 2015 (Foto: Reprodução)

Pelo menos 2.297 jornalistas morreram de forma violenta em todo o mundo desde 1990, 112 deles em 2015, reportou nesta quarta-feira (3), em seu informe anual, a Federação Internacional de Jornalistas (FIP), com sede em Bruxelas, que situa o Brasil entre os dez países mais perigosos para estes profissionais.

Em 2015, após os atentados contra o semanário Charlie Hebdo, a França passou a ocupar o primeiro lugar do ranking, montado pela FIP, ao lado de Iraque e Iêmen, cada um com 10 assassinatos.

“Estes informes anuais são muito mais que uma simples lista com nomes dos nossos colegas assassinados. Trata-se da nossa homenagem à sua coragem e ao alto preço que pagaram milhares deles, que perderam a vida no cumprimento de sua missão de informar e conscientizar o público”, diz no informe o presidente da FIP, Jim Boumelha.

Só em 2015 foram mortos 112 profissionais de mídia. O ano mais sangrento continua sendo 2006, com 155 jornalistas mortos.

A nota indica que em 2015 o continente americano foi a região mais letal, com 27 jornalistas mortos de forma violenta, seguida do Oriente Médio (25).

Muitas destas mortes ocorreram em zonas de conflito, vítimas dos barões do crime organizado e de oficiais corruptos, revela o documento. “Uma das conclusões recorrentes dos nossos informes é que foram registrados muitos mais assassinatos em situações de paz do que nos países atingidos pela guerra”, disse Anthony Bellanger, secretário-geral da entidade.

A observação é confirmada pela classificação dos 10 países mais perigosos para os jornalistas nos últimos 25 anos: Iraque (309), Filipinas (146), México (120), Paquistão (115), Rússia (109), Argélia (106), Índia (95), Somália (75), Síria (67) e Brasil (62).

Outro problema, segundo a FIP, é a escassa atenção dada à violência exercida contra os jornalistas. Segundo a federação, apenas um em cada dez assassinatos é objeto de investigação judicial.

“A falta de ação para erradicar a impunidade dos crimes e outros ataques contra profissionais de mídia continua agravando a violência contra eles”, indica a FIP.

Informações da AFP

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