3 de outubro de 2022


Macunaíma exibe revolta de escravos


20/07/2021


Por Vera Perfeito, conselheira e Diretora de Cultura da ABI

Azangule, o levante no Macunaíma

O Cineclube Macunaíma exibe hoje o filme Azangule, o levante, de Pedro Sol sobre a revolta de escravos, em 1838, na região de Paty do Alferes (RJ), a partir das 10hs até segunda-feira. No debate, às 19h30, estão os cineastas Silvio Tendler e Pedro Sol, o diretor do longa, a professora Dani Balbi, a diretora do Instituto Marielle Franco, Anielle Franco e o historiador Adriano Cesário.  No canal da ABI do YouTube.

 

O filme narra a saga de Manoel Congo e Mariana Crioula, interpretados por Thiago Thomé e Alice Morena, entre outros líderes da maior revolta de escravizados da região do Vale do café, que deixou os barões em polvorosa. As locações trazem uma incrível realidade de cena. Como a fazenda da Freguesia, hoje Aldeia de Arcozelo, em Paty do Alferes (RJ), o maior centro cultural da América Latina em área total. Lá aconteceu o estopim da revolta, o assassinato do escravo Camilo Sapateiro.

Filme

Azangule, o levante trata de uma revolta de escravos, em Paty do Alferes, contra os senhores das casas grandes no Brasil, em 1838. O escravo Camilo Sapateiro é assassinado por um capataz de Manoel Francisco Xavier, Capitão-Mor da Comarca, ao cruzar o caminho que conectava transeuntes, mercadorias e recados entre a Fazenda Freguesia e a Fazenda Maravilha, ambas propriedades dele.

A morte do escravo Camilo Sapateiro, do mesmo Manoel Xavier e assentado na Fazenda Freguesia, foi a causa da revolta que teve como consequência o quase linchamento de seu algoz, admoestações e coação de Manoel e sua esposa e, mais importante, rebelião do conjunto dos escravizados não apenas dessa fazenda, mas também da Fazenda da Maravilha e com adesão pontual de outros escravizados da região, inclusive de fazendas concorrentes, famílias de potentados rivais e políticos adversários.

O filme procura respostas para questões em aberto que interpelam o compromisso com a história dos povos escravizados e das heranças e marcas de um trajeto que começa forçado de seu continente até a exploração extenuante de seu trabalho, o apagamento de suas tradições laborais, religiosas, organizativas e chega na apropriação silenciosa de suas culturas. As idas e vindas entre presente e passado trazem os narradores do filme, seguindo, hoje, através das trilhas e matas em que os acontecimentos tiveram lugar e a contextualização econômica, política e geográfica dos eventos.

Participam do debate o cineasta Silvio Tendler; o diretor do filme Pedro Sol  que é também geógrafo e atua como coordenador geral da Imagine Filmes, produtora independente brasileira focada em documentários que abordam temas sociais, ambientais e culturais; Dani Balbique é doutora m Ciência da Literatura, professora de Roteiro da Eco-UFRJ e roteirista da produtora Y-Take4content; o historiador Adriano CesárioAnielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco. O jornalistaRicardo Cota será o mediador.

 

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