Atrás de um momento único e informativo


10/07/2007


José Reinaldo Marques
13/07/2007

Até empunhar uma câmara pela primeira vez, Júlio Diniz, de 35 anos, foi contínuo e laboratorista e achava que o ato de fotografar era um bicho-de-sete-cabeças. Um dia, resolveu enfrentar o desafio e hoje comanda o Departamento de Fotografia do jornal O Fluminense, em Niterói-RJ:
— Sou fotojornalista há dez anos e resolvi fotografar pelo desafio. Nos meus tempos de laboratorista, ficava imaginando como seria difícil coordenar tantas coisas ao mesmo tempo: enquadramento, composição, velocidade do obturador, profundidade de campo, ISO etc. Depois que comecei na profissão, vi que não era tão difícil como eu imaginava.

Na época em que estreou como laboratorista, o chefe da Fotografia era Salomão Santana, que criou mais uma vaga para que Diniz pudesse aprender “todos os segredos daquele novo mundo”:
— Fiquei seis anos na função, aprendendo muito com fotógrafos consagrados que lá trabalharam, como Michel Filho, Luís Alvarenga, Zalmir Gonçalves e Jorge Gomes. Depois, o novo chefe da Fotografia, Luiz Barros, me incentivou a fotografar e me deu uma chance para começar na profissão. Para comprar minha primeira câmera, fiz dupla jornada no laboratório do Fluminense e do Dia.

Diniz nunca se preocupou em se especializar em algum tema:
— O bom profissional é aquele que sabe fazer boas fotos em qualquer situação. Tenho preferência pela política, porque o desafio me parece maior, exige mais criação e atenção na hora da captura de um momento único e informativo. Mas a verdadeira dimensão do fotojornalismo é a oportunidade de testemunhar e registrar cenas de relevância pública e sua função, mostrar a vida como ela é. O profissional da área deve atuar com base nesse princípio, com a consciência de que tem a oportunidade, às vezes única, de estar onde a maioria não poderia, e registrar tudo o que for de relevante para a sociedade. Além de tentar resumir uma história em uma única foto, informativa e objetiva.

Alertar os cidadãos de seus direitos e deveres é também papel do repórter-fotográfico, em sua opinião:
— Acho que é por isso que gosto tanto de Política, pois tento, através das minhas imagens, chamar a atenção das autoridades competentes.

Inesquecível

Uma data que Diniz jamais se esquece é 28 de setembro de 2001, quando uma aeronave da FAB caiu na Serra da Tiririca. Diniz e um repórter saíram da Redação achando que iam cobrir o pouso forçado de um helicóptero na praia. Só no local, viram do que se tratava:
— Fomos os primeiros a chegar e acabei tendo de andar uns 40 minutos na mata fechada, com ajuda de um guia, até começar a ver pedaços de avião por todo lado. Enquanto caminhava, temia estar no lugar errado e perder a chance de fazer as fotos. Depois, fiquei apreensivo, porque havia muita fumaça e fogo, e não sabia por onde começar. Foi então que aprendi que, para não perder uma boa imagem, a calma é fundamental. Após fazer os primeiros registros, soldados da Aeronáutica chegaram e disseram que apenas os responsáveis pelas buscas poderiam permanecer no local. Com receio de ter os filmes apreendidos, escondi todos nas meias. Daquele dia, ficaram as fotos e minhas roupas rasgadas, que guardo até hoje de recordação.

Para o fotógrafo, atualmente há muita concorrência na profissão:
— Hoje, qualquer pessoa com um celular com câmera pode fazer o que, antes, só um repórter-fotográfico faria. É claro que não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo e, com o equipamento digital, ficou fácil mais pessoas terem acesso à fotografia. Ou seja, a oferta de pessoal inchou; temos muita gente para um mercado minúsculo.

Entre seus ídolos na reportagem-fotográfica, Diniz destaca Michel Filho — “que me deu uma grande força quando ainda estava começando” —, Custodio Coimbra, Alaor Filho e Severino Silva — “todos profissionais maravilhosos, de primeira grandeza.” Entre as metas na carreira, revela:
— Meu grande sonho é ir à Antártida, ao Pólo Sul ou à Groenlândia. Queria muito fazer uma expedição a algum país que tenha muito gelo. Deve ser uma grande experiência de vida. 

 

 

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