Jornalista vence câncer e cria blog para auxiliar mulheres


31/10/2016


Natalie era apresentadora e gerente de jornalismo em emissora de TV (Foto: Arquivo Pessoal)

Natalie era apresentadora e gerente de jornalismo
em emissora de TV (Foto: Arquivo Pessoal)

O site G1 publicou reportagem sobre Natalie Nanini que, aos 34 anos, no auge da carreira como jornalista, descobriu um câncer de colo de útero bastante incomum, que não era causado por HPV. Após uma agressiva cirurgia e um período de grande sofrimento, ela transformou a dor em informação. Hoje, compartilha suas experiências no blog ‘Câncer Sem Censura’, onde trata de questões polêmicas e ajuda outras mulheres a viverem melhor.

“Descobri por acaso. Não sentia dor, a não ser um muco saindo no meu xixi. Aquilo começou em janeiro, era sazonal, vinha e parava. Em fevereiro, foram todos os dias. Bati uma foto e mandei para o ginecologista, que pediu pra ir ao consultório. O médico tomou um susto. O tumor era aparente, bem feio. Ele disse que se fosse virar câncer, demoraria, a princípio, de 10 a 20 anos”, conta.

O G1 acrescenta que Natalie fez exames e, alguns dias depois soube que estava com câncer. “Meu mundo caiu. Fiquei pedindo para ele não deixar eu morrer. Ele pediu para eu ir para o consultório. Me ajoelhei, fiz uma oração e pedi para Deus me deixar viver para ver a minha filha crescer”, conta.

Quando chegou ao consultório do médico, o encontrou na companhia de um especialista em cirurgia. Os dois explicaram à Natalie que ela estava com câncer de colo de útero. O tumor era raro, extremamente agressivo e ela precisava fazer uma cirurgia o quanto antes.

“O típico é ter três fases das lesões, que são detectadas no papanicolau. Foi raro pelo fato de não ter passado por essas fases. Como é um câncer invasivo, ele é agressivo, estava prestes a cair na corrente sanguínea. Foi na hora certa, poderia virar metástase”, explicou o médico ginecologista Gilberto Moreira Mello.

Em 13 de março de 2015, Natalie passou por histerectomia, onde foi retirado o útero, as trompas, o paramétrio, parte final da vagina e os gânglios da área pélvica. Apenas o ovário foi preservado. Após o procedimento, ela fez sessões de radioterapia, que provocaram queimaduras e lesões. “Eu tinha dores 24 horas por dia como se eu estivesse em uma máquina de choque. Eu tratei as queimaduras com pomadas e continuei sentindo uma dor muito forte. Comecei um tratamento a base de antidepressivos e antianalgésicos”.

Na mesma época, Natalie perdeu o emprego. O dinheiro que tinha reservado para, finalmente, dar entrada em um apartamento próprio, foi utilizado para pagar os gastos com médico e remédio.

“Entrei em um processo bem complicado. Me via tratando de uma doença, com uma filha pequena e sem minha renda. Durante dois meses, eu vivi um processo interno de muita dor, muito questionamento, a ponto de quase entrar em depressão. Achei que tinha perdido tudo por causa do câncer”, diz Natalie.

A reportagem conta ainda que, pouco tempo depois, a jornalista conseguiu se reerguer. Fez terapia e enxergou sua situação de uma outra forma. Deixou um pouco o lado profissional para ser uma mãe mais presente. Natalie começou a praticar atividade física, o que nunca foi um hábito para ela. A alimentação ficou mais regrada.

Desempregada, ela queria encontrar uma forma de continuar levando informação para as pessoas. Nada melhor do que traduzir em palavras sua experiência com o câncer e ajudar outras pessoas a enfrentar a doença. Com o incentivo de uma amiga, ela criou o blog Câncer Sem Censura.

Na página, ela conta a história dela, a redescoberta da maternidade, a importância de simples atitudes do dia a dia, de gratidão e perdão. Natalie trata de questões polêmicas como a vida sexual e a menopausa precoce, que a atingiu aos 34 anos. A jornalista traz informações sobre o câncer e curiosidades sobre todo o processo de descoberta, cura e tratamento da doença.

Segundo Natalie, a intenção não é fazer do blog uma fonte de renda, mas sim de inspiração e auxilio para muitas mulheres. “Espero que entrem, leiam e se sintam fortalecidas para enfrentar o que tiverem que enfrentar. Por meio do blog, eu consigo colocar para fora as coisas. Eu consegui ver toda a minha evolução. A ideia é que se torne um canal para pessoas com qualquer câncer e qualquer tipo de problema. Se o Câncer Sem Censura for inspiração para as pessoas, vou ter cumprido a missão”, diz ela.

O câncer mudou a rotina de Natalie e também a forma dela encarar a vida. Aos 36 anos, ela tem a certeza que ninguém passa por uma experiência como a dela sem inúmeras reflexões, que lhe deram condições de aprender e renascer. Hoje, ela diz que é completamente diferente do que era antes, uma espécie de Natalie ‘mais restaurada’.

“O câncer foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Se não fosse ele, eu não teria tido a oportunidade de vivenciar e aprender tantas coisas nesse curto espaço de tempo. Eu comecei a enxergar que o que eu mais precisava estava comigo, o meu marido e a minha filha. Hoje eu sou grata até pelas coisas ruins. Tive perdas materiais, mas estou viva. Agradeço todos dos dias. Vivo intensamente, vivo pelo meu hoje”.

Natalie com a filha Luiza e o marido Peterson que a ajudou durante todo o tratamento (Foto: Arquivo Pessoal)

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