Quinta-feira, 29 de julho de 2010
A mágica da fotografia
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29/07/2005
Rodrigo Caixeta 

Custodio José Bouças Coimbra começou a fotografar aos 11 anos, quando seus irmãos mais velhos fundaram, com um grupo de amigos, um clube de fotografia em Quintino, bairro onde morava a família. Daquele tempo, ele recorda que era uma espécie de mascote do clube, participando das reuniões, ajudando na preparação dos químicos e copiando fotos:
— O clube acabou em dois anos e eu recebi como herança o laboratório e uma câmera Yashica. Até os 18 anos, fui mais laboratorista que fotógrafo. Gostava do clima da luz vermelha e de ver as fotos aparecerem, como mágica.

Sua primeira foto foi publicada no jornal alternativo O Repórter, em 1978, e foi tirada em frente à sede do Dia, retratando menores vendedores de jornais. Para Custodio, o fotógrafo só consegue dar o clique certeiro quando está a par do assunto:
— É necessário mostrar com uma imagem o lead da matéria. 

Sempre atrás de um bom flagrante, Custodio define seu estilo de fotografar como “arrojado, frio, ao mesmo tempo emocionado e calculista”. Para ele, fotografar é uma forma de vida, de ver o mundo e dele participar, contribuindo com mudanças:
— Para explicar como me sinto, costumo usar a imagem de uma onda do mar, em que a minha foto se localiza no momento da virada. Procuro o clímax, a hora mágica. Seja num grito de dor, de alegria, ou de tristeza. Vou em busca da emoção. Da minha e do que estou fotografando.

Entre os trabalhos que mais lhe agradaram, Custodio lembra que o mais prazeroso foi fotografar o Rio do alto do braço do Cristo Redentor durante três horas, de madrugada, até o amanhecer. Mas, segundo ele, o que teve mais resultado foi o caderno Retratos do Rio, publicado em 2001 pelo Globo:
— Fui destacado como fotógrafo exclusivo e acabei ganhando vários prêmios juntamente com a equipe, como o Esso de Contribuição à Imprensa e o Grande Prêmio Ayrton Senna, categoria Jornal.

Atualmente, Custodio prefere trabalhar com câmeras digitais, pela facilidade e a rapidez de transmissão:
— Não acredito que elas prejudiquem o desenvolvimento da arte da fotografia: No ato de clicar, é a mesma coisa. Depois, em vez de laboratório, você tem um computador, que faz tudo o que um ampliador fazia e muito mais.

Aos iniciantes, ele avisa que é preciso “fotografar muito, pois esta é uma atividade como cozinhar ou dirigir, em que só se aprende errando”. Entre os fotógrafos que o inspiraram, destaca Alberto Ferreira e Anibal Philot:
— Foram meus editores, o Alberto no Jornal do Brasil e o Philot no Globo. Além de extraordinários, foram grandes professores, formaram a minha geração.

Entre as grandes coberturas de que participou, relembra um episódio que marcou sua vida:
— A morte de sete pessoas pisoteadas em 1985, durante o velório de Tancredo Neves, em Belo Horizonte. De todos os fotógrafos que estavam na cobertura — e olha que tinha gente de todos os jornais e agências de notícias — só eu consegui registrar. O JB, onde trabalhava, abriu três páginas só de fotolegendas e a Agência AP transmitiu para mais de 7 mil jornais no mundo. Nos Estados Unidos, uma das fotos foi publicada na primeira página em seis de cada dez jornais. E o mais incrível foi que tive tempo de ajudar a salvar muitas pessoas. 


Exposição na França

A fotografia acompanha Custodio Coimbra desde os anos 70. Do tablóide semanal O Repórter, ele foi para a Última Hora, que então, em 82, já era um diário decadente, com ênfase no noticiário policial. Mas o jornal abria fotos de página inteira e uma delas chamou a atenção no JB, onde ele ficou de 84 a 89. De lá para cá, está no Globo.

Com 25 anos de carreira, já participou de várias exposições individuais e coletivas, todas com forte cunho sócio-ambiental. A mais recente, “Diário do Rio”, acaba de sair do Centro Cultural Correios e, rebatizada de “Le Brésil à la une”, fica até setembro na Maison des Amériques Latines em Paris, como parte do calendário do Ano do Brasil na França.

Depois de ser coordenador e editor de Fotografia dos Jornais de Bairros do Globo, de circulação semanal, Custodio passou a cuidar das matérias especiais produzidas para as edições dominicais. Também já publicou trabalhos em vários livros, tais como “O Rio sob as lentes de seus fotógrafos”, de 1992, “Tons sobre Tom — A vida e a obra de Tom Jobim”, de 1996, e “Brasil 500 anos”, em 2000.  




Clique nas imagens para ampliá-las: 

“Fiz vários registros da enchente...”

“Esta foto foi tirada no mesmo...”

“Ainda em Bonsucesso, numa loja...”

“Esta foto, 
que fiz na Lagoa...”

“Esta é uma foto aérea da Baía de...”

“Vista aérea da praia de Ipanema...”

“Esta é a mesma visão aérea da...”

“Tirei esta foto durante uma manifestação...”

“Tirei esta foto no conjunto habitacional...”

“Foto tirada em Ipanema, em 2003...”

“Praia do Catalão, na Ilha do...”

“Mostro aqui o vazamento que ocorre...”

“Silhueta do Cristo, em 1999. É...”

“Esta é uma das fotos do Rio que fiz...”

“Fiz esta foto na Praia Vermelha...”



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