ABL elege escritor Antonio Torres como novo imortal


Por Cláudia Souza*

06/11/2013


Antonio Torres (Foto: Reprodução Blog do Farnésio)

Antonio Torres (Foto: Reprodução Blog do Farnésio)

O romancista baiano Antônio Torres, 73 anos, foi eleito na tarde desta quinta-feira, 7, ocupante da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras(ABL), que pertenceu a Machado de Assis, fundador da instituição e primeiro presidente da ABL, que escolheu como patrono o amigo José de Alencar. Depois de Machado de Assis, o assento foi ocupado por Lafayette Rodrigues Pereira, Alfredo Pujol, Otávio Mangabeira, Jorge Amado e Zélia Gattai.

Torres, que assume a vaga deixada pelo jornalista e pesquisador musical Luiz Paulo Horta, morto em 3 de agosto último, foi eleito com 34 dos 39 votos possíveis, dos quais 2 foram em branco. A eleição contou com a presença de 20 imortais, em sessão presidida pela acadêmica Ana Maria Machado. Dezesseis membros da ABL votaram por carta e três se abstiveram.

Primeiro romancista eleito pela instituição em dez anos, Torres, que disputou a vaga pela terceira vez, venceu os candidatos Blasco Peres Rêgo, Eloi Angelos Ghio, José William Vavruk, Felisbelo da Silva e Wilson Roberto de Carvalho de Almeida.

— Fizeram sorrir uma velha criança! Sinto-me feliz por sentar na cadeira que foi de Jorge Amado, um dos escritores que mais me apoiaram no começo da carreira, e também de Machado de Assis, de quem sempre fui leitor. Estou em estado de graça, isso é resultado de uma longa estrada, disse o escritor após o anúncio do resultado.

 Repórter

 Nascido no município de Sátiro Dias, no interior da Bahia, em 13 de setembro de 1940, Antonio Torres iniciou a carreira como repórter do extinto Jornal da Bahia, em Salvador. Aos 20 anos, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou no jornal Última Hora, e na área de publicidade. Anos depois, radicou-se no Rio de Janeiro.

Antonio Torres publicou seu primeiro romance, “Um cão uivando para a lua”, aos 32 anos. Em 1976, lançou o livro considerado sua obra-prima: “Essa terra”, história com elementos autobiográficos sobre a imigração nordestina para o Sul e Sudeste, que integra a trilogia formada por “O Cachorro e o Lobo” (1997) e “Pelo Fundo da Agulha” (2006), um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2007.

Em 2007, Torres publicou o livro de contos “Minu, o gato azul”, e “Sobre pessoas”, que reúne crônicas, perfis e memórias. Suas obras foram traduzidas para a Argentina, Cuba, Estados Unidos, França, Espanha, Alemanha, Itália, Holanda, Inglaterra e Israel. O romance “Essa terra” está em vias de tradução na Bulgária, Albânia e Vietnam.

Em 1998, o escritor foi condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres, distinção dada a pessoas que contribuem para o desenvolvimento das artes e das letras na França e no mundo. Em 2000, recebeu da ABL o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. No ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, durante a  9ª Jornada Nacional de Literatura, da Universidade de Passo Fundo (RS), pelo romance “Meu querido canibal”.

De 1999 a 2005, Antonio Torres foi Escritor Visitante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(Uerj), período no qualk ministrou oficinas literárias, aulas inaugurais e palestras.

*Com informações da ABL, O Globo, Veja, Folha de S. Paulo.

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Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 2019.