ABI lamenta a morte do escritor Ariano Suassuna


Por Igor Waltz*

23/07/2014


Ariano Suassuna, 1927-2014 (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

Ariano Suassuna, 1927-2014 (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

Morreu na tarde desta quinta-feira, 23 de julho, o escritor paraibano Ariano Suassuna, de 87 anos. Ele estava internado desde o último dia 21 no Real Hospital Português, em Recife, Pernambuco, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico. Segundo um comunicado do hospital, seu quadro clínico se agravou com queda da pressão arterial e aumento da pressão intracraniana, o que provocou uma parada cardíaca. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), enlutada, se solidaria com a família e os amigos de Suassuna.

O velório do corpo do escritor começa na noite desta quarta-feira, no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. A partir das 23h, será aberto o acesso do público ao local. O enterro está previsto para a tarde de quinta-feira, dia 24, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife.

Ocupante da cadeira de n.32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), cujo patrono é Araújo Porto Alegre, o escritor deixa seis filhos, 15 netos e inúmeros romances, poemas e peças de teatro que exploram a essência do Nordeste do País. Para o diretor cultural da ABI, Jesus Chediak, Suassuna foi uma das figuras mais significativas da nossa cultura contemporânea.

“Ele provocou uma das maiores revoluções do teatro brasileiro quando escreveu o ‘Auto da Compadecida’. Não apenas pelo seu aspecto formal, mas também do ponto de vista da valorização da cultura afro-brasileira, ao representar Cristo como um homem negro”, afirma Chediak.

Vida e obra

Nascido em João Pessoa, na Paraíba, em 1927, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior. Após o assassinato do pai, morto por motivos políticos, mudou-se com a família para o Recife em 1942.

Sua primeira peça, “Uma mulher vestida de sol”, ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno em 1948. Entre suas obras clássicas, estão “O Santo e a Porca” e “O Auto da Compadecida”, esta apresentada pela primeira vez no Recife, em 1957, no Teatro de Santa Isabel, sem grande sucesso. O “Auto” explodiu nacionalmente apenas quando foi encenado – e ganhou o prêmio – no Festival de Estudantes do Rio de Janeiro, no Teatro Dulcina. A peça é considerada a mais famosa dele, devido às diversas adaptações, a última produzida por Guel Arraes para a TV e ao cinema em 1999.

Na década de 70, começou a articular o Movimento Armorial, que defendeu a criação de uma arte erudita nordestina a partir de suas raízes populares. Ele também foi membro-fundador do Conselho Nacional de Cultura. Suassuna dedicou ainda 32 anos ao ensino na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Mesmo com os problemas na saúde, ele permanecia em plena atividade profissional. “No Sertão do Nordeste a morte tem nome, chama-se Caetana. Se ela está pensando em me levar, não pense que vai ser fácil, não. Ela vai suar! Se vier com essas besteirinhas de infarto e aneurisma no cérebro, isso eu tiro de letra”, disse ele, em dezembro de 2013, durante a retomada de suas aulas-espetáculo.

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