12 de agosto de 2022


Novo programa musical exibe filme sobre Tito Madi


14/10/2020


Claquete Musical estreia nesta quarta-feira, 14,  às 19h30, no canal da Associação Brasileira de Imprensa doYouTube, exibindo o documentário Tempo de Amar (2018), do cineasta José Maria Bezerril, sobre a vida do cantor e compositor Tito Madi, com 1h20 de duração. O produtor cultural Paulo Figueiredo, que idealizou o programa, entrevistará o diretor, além do produtor do filme, o jornalista Luiz Carlos de Souza, e o produtor musical José Milton que lançou, em 2019, o álbum Nana Caymmicanta Tito Madi. Não perca e inscreva-se.

 


Tito Madi, muitas histórias pela viagem da música   

Por Luiz Carlos de Souza 

Tito Madi, compositor e cantor ( 1929-2018) conta no documentário “Tito Madi- tempo de amar” muitas histórias de sua longa viagem pela música popular brasileira e da sua criatividade. Uma delas se passou na Rádio Tupi, onde era contratado, quando o Diretor Artístico, maestro Ivan Paulo da Silva, conhecido como “Carioca”, e que a todos chamava em francês de “petit enfant” (menino) , perguntou de repente:

– Petit enfant, você tem alguma música que fale de tristeza?

-Não tenho, mas posso trazer amanhã- respondeu.

E no dia seguinte Tito trouxe o samba-canção “Cansei de ilusões”, hoje um clássico, gravado por vários cantores e cantoras. (Mentira, foi tudo mentira/você não me amou/  mentiras, foi tanta mentira que você contou/ …rasguei suas cartas /queimei suas recordações/ mentira, mentira…cansei de ilusões).Não era necessário, para Tito Madi, estar triste de verdade. Ele, segundo conta, entrava no clima e a música pedida , ou imaginada, como se brotasse do inconsciente, se revelava numa clara poesia e melodia.Criava  com seu violão o que seu público amava e que varava madrugadas, escutando-o ou dançando.

O filme tem Direção do cineasta José Maria Bezerril e Produção de Luiz Carlos de Souza, jornalista  e colaboradores. É uma homenagem a Tito Madi, pseudônimo de Chauki Maddi, nome de batismo, descendente de libaneses, nascido em Pirajuí, São Paulo que nos legou uma obra sensível, passada para o papel e pautas musicais, como  “Chove lá fora”,  “Ternura antiga”, ‘Sonho e saudade”,  “Balanço Zona Sul” e outras pérolas .E admirado por João Gilberto, que o elogiou  em show no Teatro Municipal .

No documentário, de 1h 20 min de duração , produzido em dois anos (setembro de 2015 a setembro de 2017),cenas de Copacabana de manhã e de noite, remetem ao bairro  onde Tito morava e trabalhava, tocando  e cantando em boates, madrugada adentro. Com o fundo musical de “Balanço Zona Sul”mulheres passeiam no calçadão, ao sol, com a graça de “Balança toda pra cá/balança toda pra lá…do Leme até o Leblon.”Cenas noturnas, no Beco das Garrafas,na Rua Duvivier, Copacabana, um dos locais onde ele atuou. No Beco, dentro da casa de shows Bottle’s, há um quadro negro, onde estão escritos a giz, os nomes dos músicos e compositores que passaram por ali. O nome de Tito Madi está lá.

Do lado de fora, o escritor Ruy Castro, autor de “A noite do meu bem – a história e as histórias do samba-canção ” diz, em entrevista , que Tito é dono de uma obra que é uma imensidão musical, além de ter influenciado uma geração de novos compositores, como Roberto Menescal, um dos seus admiradores, que  conta:

– Eu era menor de idade e burlava a vigilância do Comissário de Menores me escondendo atrás de uma cortina da boate , para depois que ele finalizasse sua vistoria e se retirasse, eu pudesse aparecer e assistir meu ídolo . Para entrar na casa como menor , eu dava uma garrafa de uísque ao porteiro, que furtava do meu pai. Ele ganhava muitas garrafas de presente mas não bebia bebida alcoólica e as guardava num armário. Eu ia lá e pegava .

Além de Ruy Castro e Menescal, que toca e canta “Chove lá fora”e “Cansei de ilusões”, o filme mostra Cauby Peixoto cantando também a música da chuva ( A noite está tão fria/chove lá fora/e essa saudade enjoada/ não vai embora…)  e , juntando dedos  nos lábios, manda um beijo para Tito.E mais ,Leny Andrade, que foi grande amiga  do compositor e canta para ele; de  Áurea Martins. E de artistas do show  “Quero te dizer que eu amo” na Sala Municipal Baden Powell em 2015, de Gilson Peranzzetta, pianista, maestro e compositor, parceiro de Tito e realizador de CD  em sua homenagem . Já no show “Para Tito Madi, com carinho e amor”, produzido por Luiz Carlos de Souza na mesma Sala Baden, lotada com 400 pessoas, em que Tito cantou várias músicas suas , foram feitas as primeiras tomadas do filme, que estreou ali em 23 de janeiro de 2019.

O documentário mostra um almoço familiar na casa do compositor e a chegada dele ,com aplausos,   na noite de autógrafos de Ruy Castro e em programa de televisão com Silvinha Teles. Nas ruas, casais  em cenas de chuvas,  em alusão a “Chove lá fora”. Memoráveis são o trecho de depoimento de Tito ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS), as capas de discos famosos do compositor e o relato do cansaço das longas noites de shows .O filme é  uma panorâmica sobre sua trajetória, encerrada com seu falecimento em 26 de setembro de 2018, com 89 anos. Antes de partir, Tito  o assistiu em sua casa, no Humaitá, Botafogo. Gostou e se emocionou. Sentia-se realizado.

 

 

 

 

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