Luz no futuro


07/02/2007


                           Sérgio Lírio

Para o jornalista Sérgio Lírio, editor da CartaCapital, os tempos atuais exigem uma nova forma de se fazer uma revista semanal:
— O crescimento de canais de acesso à informação torna obsoletos os modelos que se contentam em ser um resumo da semana, a ser um farol a iluminar o passado. A inglesa The Economist talvez seja o modelo mais bem acabado do que deve ser, ou deve buscar, uma revista semanal: analítica, preocupada em oferecer uma reflexão que lance luzes sobre o futuro a partir de fatos presentes, com uma dose equilibrada de opinião e posicionamento.

O editor diz que as mudanças recentes anunciadas pelo novo diretor de Redação da norte-americana Times, alinhadas com o que a The Economist pratica há várias décadas, reforça ser esse o caminho para a sobrevivência:
— Modéstia à parte, CartaCapital é a única entre as revistas brasileiras conectada a essa realidade, pois sempre procurou fazer um jornalismo de reflexão, com uma boa dose de análise, com a contribuição de colunistas respeitados e sem esconder sua opinião sobre os fatos ou escamotear suas preferências, mas também sem adaptar a verdade factual a seus interesses.

Sérgio diz ainda que a CartaCapital é o único projeto editorial inovador e próprio:
— Gráfica e editorialmente, ela é fruto de uma reflexão do Mino Carta e de seus colaboradores. Não deriva de nenhum projeto de qualquer publicação estrangeira, ao contrário das cópias malfeitas existentes por aí.

Embora ocupe o cargo de editor-executivo há dois anos, Sérgio diz que, na verdade, continua sendo repórter. A equipe da revista é pequena, diminuta até, em comparação às demais publicações de porte no País. São 11 jornalistas ao todo, incluindo Mino Carta. E as reportagens da semana são decididas às segundas-feiras, em reunião de pauta de que só não participam Leonardo Fortes, sediado em Brasília, e Maurício Dias, que fica no Rio de Janeiro:
— A reunião é aberta. Todo mundo sugere o que quiser e dá opinião sobre a pauta dos outros. O único risco é que, como a equipe é pequena, o repórter que normalmente sugere algo acaba escalado para fazer o trabalho — brinca Sérgio.

Na CartaCapital, ninguém é setorista. E não há uma pessoa específica encarregada da redação final das matérias — normalmente, Mino Carta lê as reportagens principais e o redator-chefe (cargo em aberto no momento), o conteúdo completo. Também não há uma coordenação de produção editorial. Segundo Sérgio, Mino gosta de trabalhar com equipes pequenas e, por isso, “sempre estimulou o que se pode chamar de jornalismo autoral, mesmo quando comandou Veja e Istoé”:
— Ele mantém esse espírito. Aqui, cada um responde por sua produção. Os profissionais, em sua maioria, são experientes e têm domínio total das técnicas necessárias para fechar uma revista. Estão habilitados a, tomando emprestado um jargão da crônica esportiva, jogar nas 11.

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