Bienal celebra a indústria do livro no País


14/08/2008


Segundo maior evento do mercado editorial do mundo — só perdendo para a Feira de Frankfurt — e um dos maiores da América Latina, a Bienal de São Paulo chega à 20ª edição nesta quinta-feira, 14 e segue até o dia 24 no Pavilhão Anhembi. A Bienal é o retrato do crescimento do mercado editorial brasileiro — que em 2006 totalizou 310 milhões de exemplares vendidos e 46 mil títulos editados e faturou R$ 2,88 bilhões, 11,9% a mais que em 2005 — e vai reunir 350 expositores nacionais e estrangeiros, representando cerca de 900 selos editoriais. A expectativa é de que mais de 800 mil pessoas confiram os 4,1 mil lançamentos e 210 mil títulos. 

Entre os autores brasileiros que marcarão presença na Bienal estão Lygia Fagundes Teles, Nélida Piñon, Moacyr Scliar e Fernando Morais. Na lista dos estrangeiros, um dos destaques é Samantha Power, jornalista norte-americana, vencedora do Pulitzer, que vem lançar “O homem que queria salvar o mundo, biografia do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em atentado à sede da ONU no Iraque, em 2003. 

Rosely Boschini, Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), entidade promotora da Bienal, sublinha o compromisso do evento com a ampliação do acesso à cultura e à educação e do desenvolvimento e entretenimento por meio do livro e da leitura:
— Estaremos, uma vez mais, na batalha pelo aumento do número de leitores no Brasil. Uma tarefa fundamental e cotidiana que concentra grande parte de nossos esforços, mas que é o cerne de nosso trabalho.

Estrangeiros 

Em comemoração ao centenário da imigração nipônica para o Brasil, o Japão será um dos países homenageados, ao lado da Espanha, que realizou pela primeira vez no Brasil o Congresso Ibero-Americano de Editores, antecedendo a Bienal.
 
Atraídos pelo vasto potencial do mercado brasileiro — cuja produção de exemplares é a maior da América Latina —, diversos países estrangeiros, como Argentina, Alemanha, Portugal, Peru, Uruguai, Suíça, Áustria e Índia, entre outros, participam do evento instalados em 74 estandes.

Educação e cultura 

O público infanto-juvenil será prestigiado com uma área de 2 mil metros quadrados, que tem capacidade para receber cerca de 180 mil crianças e adolescentes e abrigará ações como o projeto “Ler é minha praia”, com atividades lúdicas e visitas monitoradas aos estandes das editoras a partir de um novo sistema denominado “roteiro inteligente”, em que eles são orientados para os locais adequados à sua faixa etária. 

Atividades culturais e literárias fazem parte da extensa programação da Bienal. Mais de 40 convidados estrangeiros e 93 nacionais, entre escritores, jornalistas e personalidades ligadas às artes e à cultura, vão conversar com o público sobre suas obras. Os 200 anos da indústria do livro no Brasil, o centenário da imigração japonesa e os cem anos da morte de Machado de Assis e do nascimento de Guimarães Rosa serão debatidos por historiadores, cientistas sociais, antropólogos e professores, mediados pelo crítico literário Manuel da Costa Pinto e pelo jornalista Alexandre Agabiti Fernandez. 

O tradicional ciclo de palestras sobre educação, direcionado a professores de Ensino Fundamental e Médio, de escolas públicas e particulares, é outro destaque da Bienal 2008, que programou também palestras direcionadas a estudantes, com professores das principais universidades brasileiras e profissionais renomados, para tirar dúvidas sobre o mercado de trabalho e analisar os rumos do ensino acadêmico no País.

Imprensa oficial 

Com um estande de 300 metros quadrados, a Imprensa Oficial de São Paulo também vai promover debates e encontros com importantes autores e o lançamento de 14 livros, com destaque para o “Livro de todos”, obra colaborativa escrita pela internet por 173 autores anônimos e famosos como o campeão de vendas Roberto Shinyashiki e o vencedor do Prêmio Jabuti Menalton Braff.

História
 
A primeira Bienal Internacional do Livro de São Paulo organizada pela Câmara Brasileira do Livro aconteceu entre 15 e 30 de agosto de 1970, no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, em decorrência de um projeto iniciado na década de 50. Nessa época, mais precisamente em 1951, com o intuito de introduzir no País a tradição européia das feiras de livros encontradas na França, na Alemanha e na Itália, a CBL promoveu a 1ª Feira Popular do Livro, na Praça da República.
 
A experiência foi retomada em 1956 e deslocada para o Viaduto do Chá, ponto ainda mais central da capital paulista e de grande fluxo de pedestres. Em 61, em parceria com o Museu de Arte de São Paulo, foi promovida a 1ª Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas, evento que se repetiu em 1963 e 1965, servindo de ensaio para a 1ª Bienal Internacional do Livro, promovida exclusivamente pela CBL, em 1970. 

Em 96, o evento passou a ser realizado no Expo Center Norte, para abrigar um maior número de expositores e proporcionar mais conforto ao público. Em razão do crescimento contínuo de público e expositores, em 2002 transferiu-se para o Centro de Exposições Imigrantes (com 45 mil m2). Desde 2006, a feira é realizada no Pavilhão de Exposições do Anhembi, o maior e mais tradicional local de eventos de negócios da América Latina.

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