Assange defende mudanças no Afeganistão


27/07/2010


O fundador do site WikiLeaks, o ex-hacker australiano Julian Assange, 39 anos, disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 26, que o vazamento dos 90 mil documentos militares secretos sobre a guerra contra o Talibã no Afeganistão e no Paquistão,  pode ser comparado à divulgação dos Papéis do Pentágono, em 1971, que alterou a postura dos norte-americanos em relação à Guerra do Vietnã.
 
Assange, que defendeu a autenticidade das informações, afirmou que deseja que estes documentos favoreçam “a compreensão do que ocorreu durante os últimos seis anos de guerra no Afeganistão e uma mudança de política”.
 
Os documentos foram retirados dos arquivos do Pentágono e de relatórios nos teatros de operações que vão de 2004 a 2010.
Os Estados Unidos condenaram no domingo a divulgação do material.
—Estamos acostumados às críticas daqueles cujos abusos mostramos. A função do jornalismo é questionar o poder, disse Assange ao jornal The Guardian.
 
No total, 1.074 civis morreram no primeiro semestre deste ano no Afeganistão por causa da guerra, 1,3% a mais em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da organização independente Afghanistan Rights Monitor (ARM).
 
Fundada há três anos, a WikiLeaks reúne colaboradores em todo o mundo. Os documentos que contêm revelações importantes podem ser postados através de uma conexão cifrada sem a identificação do usuário. O site se encarrega de verificar a autenticidade de textos, áudios e vídeos confidenciais.
 
Em 2008, o portal recebeu o prêmio de meio de comunicação do ano pela revista The Economist. Em 2009, o WikiLeaks e seu fundador venceram o prêmio da Anistia Internacional na categoria de Novas Mídias por relatos sobre matanças no Quênia.
 
O site disponibilizou, em novembro de 2009, meio milhão de telefonemas, e-mails e SMS emitidos e recebidos pelo FBI e pela Polícia de Nova York no atentado de 11 de setembro. Causou grande polêmica também com a veiculação de um vídeo no qual um helicóptero Apache americano ataca, em 2007, uma dezena de civis em Bagdá. Entre os mortos, o cinegrafista da Reuters Namir Noor e seu motorista Saeed Chmagh. O ataque foi denunciado por organizações de jornalistas, obrigando o Pentágono a abrir nova investigação sobre o caso.
 
*As informações são de O Globo, O Estado de S. Paulo, AFP e BBC Brasil.

 
 

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