Garrincha em fotos (II)


10/10/2008


O primeiro título da carreira

Após atuar em alguns jogos amistosos no interior do Estado do Rio de Janeiro, Garrincha estreou oficialmente na equipe de aspirantes do Botafogo contra o São Cristóvão. No dia 19 de julho de 1953, na segunda rodada do campeonato carioca, Gentil Cardoso escalava o time titular com Garrincha na ponta-direita. O Bonsucesso caiu diante do Botafogo por 6 a 3 e se rendeu ao futebol de Garrincha, artilheiro do jogo com três gols.

Somente quatro anos depois de sua brilhante estréia, Garrincha conquistava seu primeiro título com a camisa alvinegra. Na decisão do campeonato carioca de 1957, o adversário era o Fluminense, que levava a vantagem do empate.

No decorrer do campeonato, Garrincha brindou a torcida alvinegra com extraordinárias exibições. Mas, para a tarde do dia 20 de dezembro de 1957, reservara um espetáculo especial: arrasou a defesa tricolor e fez de seu companheiro Paulinho Valentim o artilheiro do campeonato. O Botafogo venceu por 6 a 2, com gols de Paulinho (5) e Garrincha.

Após o jogo, Castilho, o extraordinário goleiro tricolor, reconhecendo a derrota e a bela atuação de Garrincha, declarou: “Ele é um espantalho.” 

A dupla que encantou o mundo

Convocado para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1958, Garrincha atuou, inicialmente, na ponta-esquerda e depois jogou na sua verdadeira posição. Em Lima, no empate de 1 a 1 com o Peru, integrou o ataque brasileiro na extrema-esquerda. No Maracanã, na segunda partida diante dos peruanos, Garrincha voltou à direita, com Joel na ponta-esquerda.

Na Europa, nos amistosos contra a Fiorentina e a Internazionale, antes da Copa, Garrincha acabou com as defesas adversárias. No jogo diante da Fiorentina, depois de driblar toda a defesa da equipe italiana, inclusive o goleiro, ele parou, esperou a chegada de seu marcador, livrou-se do adversário, que foi parar no fundo da rede, e, com um passo de toureiro, terminou a sua obra de arte, marcando o gol.

Garrincha e Pelé não participaram dos jogos contra a Áustria e a Inglaterra, primeiros adversários do Brasil na Suécia. Os dois maiores astros do futebol brasileiro e mundial estrearam contra a poderosa União Soviética.

Mané Garrincha desmontou todo o esquema que o técnico soviético havia preparado para marcá-lo. O beneficiado dessa vez foi o centro-avante Vavá, que soube aproveitar os cruzamentos de Garrincha. 

A homenagem dos companheiros

As atuações de Garrinchas sempre contribuíram para as grandes conquistas alvinegras. Em 1961, o título foi alcançado faltando duas rodadas para o encerramento do estadual. O Botafogo terminou a competição com quatro pontos perdidos, deixando Flamengo, Fluminense e Vasco em 2º lugar, com oito pontos.

Ao lado de Garrincha atuavam no excelente time alvinegro os campeões mundiais Nilton Santos, Didi e Zagalo, além de Manga, Rildo, Airton, Amarildo e Quarentinha.

Reconhecendo a importância do futebol de Garrincha, seus companheiros (entre eles, Manga, Rildo e Amoroso) o carregaram em triunfo com a faixa de campeão estadual de 1961. 

O mundo aos seus pés

Importantes personagens do mundo do futebol, jogadores, jornalistas e torcedores, afirmam até hoje que o título de bicampeão mundial de 1962, em Santiago do Chile, foi conquistado por Garrincha.

Com a contusão de Pelé no jogo contra a Tchecoslováquia, segunda partida do Brasil, e sua conseqüente ausência da seleção brasileira no restante da Copa, Garrincha passou a jogar por ele e pelo companheiro.

Teve atuações fantásticas, marcando gols de cabeça, de pé esquerdo, de falta. Enfim, o variado repertório deixou o mundo do futebol aos seus pés, como aconteceu com o goleiro Sheroif na partida final contra o Brasil. O placar marcava o empate de 1 a 1, gols de Masopust e Amarildo. No segundo tempo, Vavá e Zito fizeram os outros gols brasileiros.