Marcos da cobertura de guerra


10/02/2005


Segundo a jornalista Paula Fontenelle, que em seu livro “Iraque: A Guerra pelas Mentes” traça um histórico da cobertura de guerras, o primeiro registro de cobertura data da guerra da Criméia (1854-1856).

“Foi uma cobertura limitadíssima. Dos jornais britânicos, apenas o The Times registrou o conflito, mas a censura foi imposta rapidamente devido à postura crítica da mídia. A participação da imprensa cresceu rapidamente. Na Guerra Civil Americana (1861-1865), por exemplo, mais de quinhentos jornalistas estiveram presentes na região norte dos Estados Unidos. Naquele tempo, os veículos de comunicação contratavam ilustradores para registrar as imagens”, conta.

Paula afirma que houve inúmeras mudanças no trabalho dos correspondentes de guerra desde então.

“Grande parte das mudanças, tanto do lado da mídia, quanto dos governos envolvidos no conflito, ocorreu devido aos avanços tecnológicos. Dos ilustradores da Guerra Civil Americana evoluímos para a fotografia, o rádio, os filmes (bastante utilizados como instrumentos de propaganda de guerra nos dois conflitos mundiais), a transmissão ao vivo via satélite e agora a Internet, que possibilita a difusão imediata e irrestrita do fato”.

Quanto aos governos, analisa a autora, “houve evoluções e involuções. A guerra do Vietnã foi um marco no retrocesso da cobertura. Paradoxalmente, também foi um marco na liberdade de imprensa. Explico: quando a mídia americana acordou para o absurdo daquele conflito, partiu para o ataque do governo dos Estados Unidos (que até hoje culpa a imprensa pela derrota). A reação do governo americano foi limitar seus canais de comunicação com a mídia em guerras posteriores. Esse retrocesso tem um nome na literatura que trata da propaganda de guerra, chama-se a ‘Síndrome do Vietnã’.”