Hoje é Dia de Livro


18/10/2022


Por Maria Luiza Busse, diretora de Cultura da ABI

Ulisses

A obra do irlandês James Joyce faz 100 anos em dezembro e a literatura já festeja o que é considerado o marco inaugural do romance moderno pela escrita de fluxo de consciência e uso de diferentes estilos. Joyce se inspirou na Odisseia, de Homero, para contar a saga de Leopold Bloom por Dublin, sua cidade natal, em que tudo acontece em apenas um dia, ao inverso do que se passa com o herói grego: nascimento, alegria, traição, prazer, menstruação, masturbação e morte. Para o início do século XX, contar tais intimidades era despudor indesculpável. O livro foi banido de alguns países e só em 1933 foi lançado nos Estados Unidos. Editora Civilização Brasileira.

Maquiavel, a democracia e o Brasil 

A partir de referências históricas e atuais da Ciência política e das artes trágicas, o livro de Renato Janine Ribeiro, professor e ex-ministro da Educação no governo Dilma, é um panorama sobre como pensar a ação política. Utilizando os conceitos de fortuna e virtude (virtù) do filosofo florentino, o autor analisa fatos ocorridos nos principados italianos, a começar pela Florença de Maquiavel, e nas incipientes monarquias europeias para, então, se debruçar sobre a dinâmica de poder com os representantes do Executivo na Nova República brasileira, de 1985, com Sarney, até o governo Bolsonaro. Editora Estação Liberdade.

Américas – um sonho de escritores

As experiências e impressões de viajantes do século XX à América Latina estão reunidas no livro que Philippe Ollé-Laprune brinda os leitores com os relatos dos escritores Blaise Cendrars, Stefan Zweig e Georges Bernanos sobre a passagem pelo Brasil ; Roger Caillois e Witold Gombrowicz , pela  Argentina; William S. Burroughs, Victor Serge, D.H. Lawrence, Malcolm Lowry, César Moro e os surrealistas franceses, pelo México;  Henri Michaux,  Equador, e Ernest Hemingway e Robert Desnos, por Cuba. Editora Estação Liberdade.

Os filhos dos dias

Inspirado na sabedoria dos maias, Eduardo Galeano cria um calendário em que a cada dia nasce uma nova história. O livro é composto de 366 relatos que vão da antiguidade até este século XXI, episódios que se passam no México de 1585, no Brasil de 1808, na Alemanha de 1933, e em outras datas e países. O escritor uruguaio escreve em forma de diário coletivo da diversidade de povos e culturas de 1º de janeiro a 31 de dezembro, sem esquecer o 29 de fevereiro que só ocorre de quatro em quatro anos. Galeano, autor do clássico Veias abertas da América Latina, faleceu em 2015. L&PM Editores.

História da felicidade

Ser feliz depende de circunstâncias epocais específicas além de representar uma vivência diferente para cada indivíduo. As raízes e a história da felicidade são o assunto do livro do inglês Peter N. Stearns que observa ser um fenômeno dos séculos XVIII e XIX o aumento da importância da felicidade. O professor e ex-reitor da George Mason University, trabalha com a perspectiva de que a felicidade é produto das concepções religiosas do passado, do iluminismo, do capitalismo comercial, da imensa indústria do entretenimento moderno, do aconselhamento psicológico, além de todas as possíveis variáveis pessoais, familiares e locais adicionadas. Editora Contexto.