2 de dezembro de 2022


Deputado pode responder por assédio a repórter


09/08/2017


O deputado federal Wladimir Costa (SP-PA)

Acusado de assédio contra a jornalista Basília Rodrigues, da Rádio CBN, o deputado Wladimir Costa (SP-PA) deve ser alvo de representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

O caso aconteceu na semana passada, quando o parlamentar estava sendo questionado sobre a falsa tatuagem que fez no ombro em homenagem a Michel Temer. Ao ser solicitado para mostrar o desenho, ele disse a repórter, durante entrevista à imprensa, que para ela ‘só mostraria o corpo inteiro’.

Como passou a ter de dar explicações sobre a conduta, o deputado usou as redes sociais para fazer novos ataques. Em uma publicação no Facebook, postou fotos da jornalista sem autorização, fez ofensas pessoais, colocou em xeque a competência da repórter e usou palavras agressivas para negar o assédio. O ato gerou mais ofensas, publicadas por seguidores do parlamentar.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), diz que a atitude fere o decoro e quer levar o caso ao Conselho de Ética. “Vou tentar representar partidariamente para que o PSB possa representar contra um cidadão que não tem correspondido à ética e ao decoro parlamentar. Não é um exemplo um deputado agir dessa forma”, afirmou ao site da Rádio CBN.

A Frente Parlamentar em Defesa das Mulheres na Câmara também quer fazer uma representação. Maria do Rosário (PT-RS), lembrou à rádio que deputadas e assessoras de parlamentares são vítimas constantes de assédio dentro da Câmara e reclama que a Casa não se mobiliza como deveria porque existe um machismo que protege os deputados.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo publicou nota de repúdio, afirmando que a conduta do deputado foi machista e desrespeitosa ao trabalho jornalístico. O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal classificou a atitude de Wladimir como antiética, misógina, machista e racista. E ressaltou que as mulheres jornalistas, em especial as negras, estão submetidas a uma série de desigualdades e violência dentro e fora das redações que precisam ser combatidas.

Procurado pela reportagem da CBN, o deputado ainda não se posicionou. No Facebook, admitiu que a tatuagem era falsa, classificou a atitude como uma brincadeira e negou o assédio – afirmou que o fato de dizer que mostraria o corpo todo para repórter não significa que ele ficaria nu.

Informações da Carta Capiral

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