10 de agosto de 2022


Repórteres devem seguir detidos em Mianmar


18/12/2017


Os repórteres Wa Lone e Kyaw Soe Oo

O presidente civil de Mianmar, Htin Kyaw, um aliado próximo da líder do governo, Aung San Suu Kyi, autorizou que a polícia prossiga com uma ação contra dois repórteres da Reuters presos sob acusação de violarem a lei de segredos oficiais da era colonial britânica, afirmou um porta-voz graduado do governo.

Os jornalistas Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27, foram presos na noite da última terça-feira após serem convidados para jantar com policiais nas redondezas da maior cidade de Mianmar, Yangon.

“O Ministério de Assuntos Internos já submeteu o caso ao Gabinete do Presidente”, disse Zaw Hta, porta-voz de Aung San Suu Kyi, no domingo. Ele acrescentou que o gabinete do presidente aprovou que o caso siga adiante.

Zaw Htay não pôde ser encontrado na segunda-feira para esclarecer se Htin Kyaw ou Suu Kyi estiveram pessoalmente envolvidos com a decisão, ou se outras autoridades assinaram em nome do presidente.

Diversos governos, incluindo os Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, o secretário-geral da ONU, António Guterres, assim como o editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, e uma série de grupos de direitos humanos e de jornalistas criticaram a prisão como um ataque contra a liberdade de imprensa e pediram que Mianmar liberte os dois repórteres.

Jornalistas usaram preto em protesto

Um grupo de jornalistas de Mianmar disse que começariam a usar camisetas pretas, neste sábado, em protesto à prisão de dois repórteres da Reuters, acusados de violarem lei de segredos oficiais do país, enquanto a pressão cresce para Mianmar liberar a dupla.

O Comitê de Proteção de Jornalistas de Mianmar, um grupo de repórteres locais que se manifestaram contra perseguições anteriores a jornalistas, criticaram “prisões injustas que afetam a liberdade de imprensa”.

Em um comunicado no Facebook, o comitê disse que seus membros usariam camisetas pretas, “que significam a era obscura da liberdade de imprensa” no Mianmar. Eles exigem a liberdade incondicional e imediata dos dois repórteres, Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27 anos.

“Apelamos que jornalistas ao redor do país façam parte da Campanha Negra”, disse o grupo, que planeja realizar protestos oficiais e orações.

Não está claro quanto apoio o grupo tem entre jornalistas do Mianmar.

O Comitê de Proteção de Jornalistas do Mianmar foi formado em resposta à prisão, em junho, de um editor de jornal que publicou uma caricatura sobre o exército, disse o jornalista A Hla Thu Zar – um dos 21 membros executivos do comitê.

 

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