ABI manifesta apoio à vítima de “gordofobia” na internet


10/06/2016


reporter do extra imagem

A repórter Samanta Vicentini (à direita)

O advogado Jansen Oliveira, do departamento jurídico da ABI e presidente da Comissão de Direito à Liberdade de Expressão da OAB – Barra, se solidarizou em relação ao caso da repórter Samanta Vicentini, vítima de preconceito nas redes sociais enquanto conduzia uma entrevista.

Segundo ele, o episódio levanta um debate importante: existe limite para a liberdade de expressão e opinião na internet? “O direito à liberdade de expressão é importante, mas deve conviver de forma harmoniosa com outros direitos, como o direito à privacidade e à dignidade. Na internet, as pessoas perderam esse limite, ou sequer o acharam”.

Um crime contra o profissional do jornalismo

Durante transmissão ao vivo no Facebook, nesta terça-feira (8), a repórter do Extra Samanta Vicentini foi vítima de “gordofobia” ao vivo enquanto mediava uma entrevista. Em seu Instagram, ela recebeu comentários pejorativos em relação ao seu peso, como ‘gorda’, ‘gorducha’ e ‘leitoa’.

A repórter interrompeu seu trabalho e  respondeu ao ataque ao vivo durante a entrevista: “Gordo não é ofensa. Isso aqui é só embalagem. Falta de caráter é pior do que gordura”, disse a profissional, que continuou sua entrevista e recebeu mensagens de apoio e carinho da maioria dos expectadores que assistiam a entrevista. Em seguida, ela  publicou em sua rede social um depoimento sobre o episódio.

Ainda de acordo com Jansen, a crença na impunidade também seria outro aspecto relevante em relação à postura de perfis disseminadores de ódio nas redes. Uma crença que, na verdade, se configura como um engano. “As pessoas ficam encorajadas por trás de uma tela, se acham invisíveis, mas esquecem, ou muitas vezes não sabem, que há delegacias especializadas em crimes virtuais. Eles se enganam ao achar que não podem ser enquadrados no âmbito penal e também no civil, com a reperação de danos morais, como no caso da Samanta”.

O advogado também falou sobre uma possível crise de intolerância na sociedade. “As redes não criaram o ódio e a intolerância. Mas tudo na internet ganha grandes proporções, é altamente dimensionado. Inclusive, o ódio. E o ser humano, não somente o brasileiro, tem uma afeição pelo ódio”.

Para Jansen, além da conscientização dos que praticam discursos de ódio na internet, é essencial que as vítimas denunciem. “Sabemos da deficiência e lentidão burocrática do nosso Judiciário. Muitas pessoas ficam desanimadas e desistem de enfrentar estes agressores. Mas não é possível esmorecer, senão acabamos dando um cheque em branco a estas pessoas. A internet, como já disse, é um mecanismo importante de debate. Mas há excessos. O que fazer? Acabar com ela? Cerceá-la com projetos de lei perigosos? Não! É preciso conscientizar as pessoas e estabelecer limites. Cada um tem de fazer a sua parte”, finaliza.

Um perfil fake da repórter horas após o ataque virtual, mas foi denunciado e banido pelo Facebook.

A conta do autor dos ataques à repórter Samanta Vicentini também foi apagada, o que não impede que a investigação do caso siga de forma ininterrupta. O departamento jurídico do jornal está tomando as medidas legais sobre o caso.

 

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