7 de julho de 2022


Renato Russo está no Cine Macunaíma, que faz pausa


26/04/2022


Cine Macunaíma exibe Rock Brasília e faz pausa devido a eleições na ABI

O Cineclube Macunaíma faz uma pausa devido a eleições na ABI para a escolha de nova diretoria, mas exibe hoje, a partir das 10h e até segunda-feira, o filme Rock Brasília – Era de Ouro (2011), de Vladimir Carvalho com Renato Russo, Dinho Ouro Preto, Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá e Caetano Veloso, entre outros. Com imagens de arquivo, filmadas pelo diretor desde o final dos anos 1980, o documentário encerra uma trilogia sobre a construção cultural e ideológica da capital federal. Traz as bandas de Brasília – Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude – que fizeram a trajetória clássica do herói: vencer empecilhos e ir atrás de um grande desafio que era a conquista de um lugar na cultura nacional. Eles fazem parte da primeira geração de filhos de intelectuais, diplomatas e políticos que começou a surgir nos anos 1980.

Às 19h30, haverá debate com o cineasta Silvio Tendler e mediação do jornalista Rodrigo Fonseca. Os convidados são o ator e cantor Bruce Gomlevsky que representou Renato Russo no teatro e o produtor musical Marcelo Fróes. Assista ao filme e ao debate pelo canal da ABI no YouTube. Link: bit.ly/3uZn84f.

Documentário

O filme mostra a trajetória do cenário rock/musical de Brasília nos anos 80, desde os primórdios, das bandas embrionárias até o estouro nacional de Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. O filme traz imagens raras e inéditas de Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá, Dinho Ouro Preto, os irmãos Fê e Flávio Lemos e Philippe Seabra, além dos artistas que se aproximaram dessa turma, como os músicos do Paralamas do Sucesso (Herbert Vianna, João Barone, Bi Ribeiro) e Caetano Veloso.

Assim como praticamente tudo no Brasil, tem-se por hábito tratar como “genuinamente nacional” somente as manifestações culturais surgidas na Região Sudeste, em especial nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Os oriundos dos demais estados, artistas da Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Pará, Amazonas, Santa Catarina, Goiás ou Mato Grosso, por exemplo, sempre ganham a conotação de “regionais”, como se o que ali é feito fosse uma expressão singular e isolada, e não reflexo de um país como um todo. Na música, e no rock em especial, essa barreira começou a ser superada no início dos anos 80, com o surgimento de bandas que marcariam presença nacionalmente. A diferença é que elas vinham de um outro lugar, de uma terra nova e até então não-explorada: Brasília, a capital do Brasil. A música foi composta por Vladimir Carvalho e o documentário foi indicado para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – Melhor Longa-Metragem Documentário e recebeu o  Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – Melhor Trilha Sonora.

Diretor e convidados

Vladimir Carvalho – Nascido em Itabaiana em 31 de janeiro de 1935, ele é um cineasta e documentarista brasileiro de origem paraibana. Começou seu curso universitário em João Pessoa, Paraíba, mas transferiu-se para Salvador a fim de ir ao encontro de um dos grandes núcleos do Centro Popular de Cultura CPC da União Nacional dos Estudantes UNE. Frequentando a Universidade Federal da Bahia conheceu Glauber Rocha e integrou o chamado movimento do cinema novo, sendo parte da vertente documentarista do movimento, ao mesmo tempo, sendo influenciado e influenciando-o também, com o estilo de sua cinematografia documentária inovadora. Em 1964, ano do golpe de Estado que instalou a ditadura militar no país, Vladimir e Coutinho foram surpreendidos em plena filmagem do documentário Cabra Marcado para Morrer, no engenho Galiléia, em Pernambuco. Após saberem sobre o golpe, a fuga e a entrada na clandestinidade são inevitáveis, porque sabiam que seriam presos pela ditadura; já que estavam filmando um tema explosivo, o das Ligas Camponesas. A pressão política e a repressão que se seguiram foram enormes. No Rio, foi diretor assistente de Arnaldo Jabor e repórter no Diário de Notícias. Em 1971, seu longa metragem “O País de São Saruê” foi retirado bruscamente do Festival de Cinema de Brasília pela censura federal. Em sinal de protesto contra tal fato, a comissão de seleção do festival se demitiu. Houve uma grande celeuma, porque o filme, depois de ter sido selecionado, foi vetado e apreendido pela censura. As autoridades presentes ao festival são vaiadas. “São Saruê” permaneceu apreendido e impedido de ser exibido durante toda a década de 1970. Apesar disto, o filme recebe convites até do Festival de Cannes, sem poder ser apresentado fora do país (porque havia uma única cópia em película do filme). Após o triste e autoritário episódio da censura e apreensão do filme O País de São Saruê (só liberado em 1979), Vladimir continuou suas atividades, lecionando na UnB e filmando outros filmes, mesmo com parcos recursos. Além disso, ele fundou, em Brasília, a Associação Brasileira de Documentaristas seção DF, da qual será, posteriormente, presidente. A associação realizou o primeiro Festival do Filme Brasiliense.

Filmografia: Romeiros da Guia – 1962; A Bolandeira – 1967; Vestibular 70 – 1970; O País de São Saruê – 1971; Incelência para um Trem de Ferro – 1972; O Espírito Criador do Povo Brasileiro – 1973; O Itinerário de Niemeyer – 1973; Vila Boa de Goyaz – 1974; Quilombo – 1975; Mutirão – 1975; José Lins do Rego – 1975; A Pedra da Riqueza – 1976; Pankararu do Brejo dos Padres – 1977; Brasília Segundo Feldman – 1979; O Homem de Areia – 1982; O Evangelho Segundo Teotônio – 1984; Perseghini – 1984; No Galope da Viola – 1990; A Paisagem Natural – 1991; Conterrâneos Velhos de Guerra – 1991; Negros de Cedro – 1998; Barra 68 – 2000; O Engenho de Zé Lins – 2006; Rock Brasília – Era de Ouro – 2011.

Convidados

O ator Bruce Gomlevsky estrelou a peça “Renato Russo, o musical” no Festival Rock Brasil 40, em Belo Horizonte. Bruce e a banda Arte Profana se apresentaram em fevereiro na capital mineira. O roteiro se baseia na trajetória do líder da banda Legião Urbana, Renato Russo, que morreu de Aids em 1996, aos 36 anos, deixando obra poética e musical que faz a cabeça dos jovens de várias gerações. 

Marcelo Fróes é um produtor musical, escritor, advogado e pesquisador de música popular brasileira. Fróes fez uma pesquisa extensa sobre Renato entre 2000 e 2002, descobrindo músicas inéditas e produziu alguns discos póstumos entre 2003 e 2010.

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