Reforma revolucionária


04/05/2005


Durante o Governo Dutra, o Jornal do Brasil mantinha sua característica de jornal popular, com destaque para os anúncios classificados em suas primeiras páginas. Em 1950, quando Getúlio Vargas voltava ao poder e a Guerra Fria começava a se estabelecer no cenário internacional, morreu o diretor do JB José Pires do Rio, principal defensor da predominância dos classificados no jornal. Em seguida, o Conde Pereira Carneiro, por motivo de saúde, se afastou da direção da empresa, assumida, após seu falecimento, pela viúva Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro. Maurina contou com a colaboração do genro, Manuel Francisco do Nascimento Brito, em sua gestão, quando o jornal adquiriu equipamentos gráficos com os recursos técnicos necessários à sua modernização.

Com a ascensão de Juscelino Kubitschek à Presidência, em 1956, e um governo voltado fortemente para a industrialização e o desenvolvimento, o País vivia a expectativa de ganhar uma nova capital e, na cultura, observavam-se os primórdios da Bossa Nova. Em sintonia com essa realidade, o JB começou o seu processo de mudança. Em junho do mesmo ano foi lançado o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, criado pelo poeta Reynaldo Jardim, onde escreveram Mário Faustino, Ferreira Gullar, os irmãos Augusto e Haroldo de Campos e Mário Pedrosa, entre outros nomes ilustres da literatura.

O SDJB potencializou o surgimento do Caderno B, lançado em 15 de setembro de 1960, que foi o primeiro caderno da imprensa brasileira exclusivamente dedicado a variedades e serviu de modelo para os segundos cadernos e cadernos culturais editados em todo o País.

Em 1957, ainda em processo de reformulação, a direção do JB convidou Odylo Costa, filho, que levou com ele uma equipe de jovens jornalistas como Jânio de Freitas, Carlos Lemos, Wilson Figueiredo e Amílcar de Castro, que imprimiram ao jornal um estilo ao mesmo tempo mais leve e agressivo. O espaço do noticiário e o número de páginas aumentaram e a opinião do jornal e o uso de fotos passaram a ter grande destaque.

No aspecto gráfico, Amílcar de Castro introduziu muitas inovações, eliminando os fios, implantando a diagramação vertical e valorizando os espaços brancos das páginas. Em junho de 1959, pela primeira vez, a primeira página do jornal saiu com os classificados em L, concretizando a nova realidade do jornal.

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