Paulo Chico – Em busca do ‘melhor jornal possível’


14/08/2007


Rodrigo Caixeta
23/3/2007

 Fotos de Henrique Huber

Há dez anos trabalhando para a Folha Dirigida, Paulo Chico garante que a sua relação com o jornal supera em muito o lado apenas profissional. Desde 2001, ele está à frente da editoria Educação, função que divide com Belmira Brondani, mas já fez de tudo na publicação. Após concluir a graduação na Uerj, em 1997, entrou como estagiário, passou a repórter, foi editor de Turismo, esteve à frente da chefia de reportagem da editoria de Concursos e passou ainda pela seção Empregos & estágios.

A vocação de Paulo para o jornalismo se deu ainda nos tempos de colégio. Ele conta que sempre teve atração pela leitura e pela escrita e fazia parte da equipe que produzia os jornais escolares de sua cidade natal, Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense:
— Nunca tive uma influência direta, como parentes jornalistas. Mas sempre fui um apaixonado por boas histórias e personagens interessantes.

No comando do Caderno de Educação, Paulo Chico explica que a rotina é voltada para a produção do “melhor jornal possível”. Segundo ele, desde a concepção da edição — com a definição das pautas, da reportagem de capa e da entrevista especial da última página —, até o fechamento, todos ficam ligados no que pode dar caldo no suplemento:
— Por um ser um jornal bissemanal — que chega às bancas às terças e quintas-feiras — temos uma peculiaridade. Às vezes, do planejamento da edição até o seu fechamento passam-se cinco dias. Ou seja, neste período, tudo pode mudar. Costumo brincar que a tendência é de que, quanto mais distante do risco inicial, melhor fica aquela edição. Essas edições, fechadas na pressão e com novidades de última hora, é que costumam ser as mais quentes — e também as mais divertidas de se editar. É um momento no qual experimentamos a sensação de um jornal diário.

As pautas são decididas a todo momento e a seleção dos assuntos conta com a colaboração dos 15 repórteres da equipe:
— Parte dos assuntos, sobretudo aqueles ligados aos serviços — como vestibulares e concursos militares —, tem um desdobramento natural, seguindo a tradição da Folha Dirigida. Já nas reportagens e entrevistas, procuramos estar em cima de temas atuais, ou que sejam de grande interesse dos educadores. Outra vertente é acompanhar, o máximo possível, os eventos e os bastidores das decisões na área da educação.

De acordo com Paulo Chico, sua equipe de reportagem atua basicamente na área de educação, mas, por vezes, há intercâmbio de repórteres para outras editorias, como Turismo:
— Até por experiência própria, sei como é enriquecedora, sob o ponto de vista profissional, essa ’caminhada’ por novas estradas — enfatiza o jornalista. 

 Paulo Chico e a equipe da Folha Dirigida

Adversidades

Da época em que cobria concursos, Paulo lembra que não foram poucas as vezes em que teve que enfrentar situações adversas — ou até engraçadas — para conseguir acesso a informações. Segundo ele, “furar” o bloqueio de assessorias e “despistar” seguranças eram as ocorrências mais freqüentes:
— Num dos concursos, para graduados em Direito, já tive que simular, junto ao fotógrafo, a destruição do filme da máquina (filme! Olha só quanto tempo faz isso!). Depois de fotografados, muitos candidatos partiram pra cima da gente, afirmando não liberar o uso da imagem. Para não perder todo o trabalho já feito no dia, simulamos a destruição de um filme virgem e salvamos as fotos já feitas. Tudo isso, é claro, assumindo o compromisso com os organizadores do concurso de que as fotos daqueles candidatos não seriam publicadas.

Sobre a recente reforma gráfica do jornal, iniciada em seu caderno, Paulo Chico lembra que, nos 22 anos de existência da Folha Dirigida, houve somente pequenas ’plásticas’, nada profundo como desejavam:
— O resultado não poderia ter sido mais feliz: ao mesmo tempo em que o jornal se mostra mais organizado e graficamente rejuvenescido, preservou sua identidade visual e sua linha editorial já consagrada. Acredito que a reforma teve início pelo Caderno de Educação por ele ser — até pela natureza de suas matérias — mais aberto as inovações. Com isso, o leitor teve tempo de se acostumar com as mudanças que já chegaram, com o mesmo êxito, ao chamado primeiro caderno.

Segundo Paulo, o jornal tem um público vasto, que vai desde os estudantes, professores e vestibulandos, até chegar a dirigentes educacionais, como diretores de escola, secretários e reitores de universidade. Além disso, acompanha os acontecimentos nas universidades da região metropolitana e no interior do Estado do Rio:
— Na verdade, isso é apenas o resultado de um trabalho feito pela equipe de um jornal — o único no País, nunca é demais lembrar — que publica regularmente um amplo caderno dedicado às questões educacionais. E que também é responsável pela edição do maior suplemento de Educação, publicado todos os anos em 15 de outubro, em homenagem ao Dia do Professor.

   

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