19 de agosto de 2022


“O veneno está na mesa”, a luta contra os agrotóxicos, no Cineclube ABI Macunaíma


15/06/2021


Por Vera Perfeito, Conselheira e Diretora de Cultura da ABI


No Macunaíma luta contra agrotóxicos.

O Cineclube Macunaíma exibe, hoje, a partir das 10hs e até a próxima terça -feira, o documentário de Silvio Tendler veneno está na Mesa que evidencia as preocupações  causadas pelo uso de agrotóxicos na agricultura, pois, hoje, o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo: 5,2 litros/ano por habitante. E há um acordo comercial em andamento entre o Mercosul e Uniao Europeia que pode piorar o quadro: redução de 90% de impostos sobre pesticidas. O filme foi lançado originalmente em julho de 2011 com 50 min e faz parte da Campanha permanente Contra o Agrotóxico e Pela Vida, tendo depoimento do escritor uruguaio Eduardo Galeano e narração de Caco Cioler, Dira Paes, Amir Haddad e Julia Lemmertz.

Às 19h30, haverá debate com o cineasta Silvio Tendler, o jornalista  Ricardo Cota, como mediador, sendo um dos convidados o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, coordenador adjunto do Forum gaúcho de combate aos impactos dos Agrotóxicos,  além de membro da Associação Brasileira de Agroecologia e do Movimento de Ciência Cidadã. Aoutra convidada é a enfermeira sanitarista Juliana Acosta. Os dois são integrantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida. Em seu documentário O veneno está na mesa, o cineasta Silvio Tendler denuncia o uso indiscriminado de defensivos na lavoura, a pressão das indústrias e a submissão dos produtores.

 

Agrotóxicos

A campanha existe há 10 anos, construída por um conjunto de organizações e movimentos que denunciam os impactos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente ao mesmo tempo em que anuncia a agroecologia como caminho. Os cidadãos do Mercosul têm sido tratados como de segunda classe, vítimas de violência química por serem envenenadas com agrotóxicos proibidos na Europa. E o cenário se agravará se for fechado um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia que reduz em 90% as tarifas sobre pesticidas. A pesquisadora Larissa Bombardi teve que deixar o país, após chegar às conclusões acima em sua pesquisa. Recebeu uma série de ameaças.

Com a chamada revolução verde, que apagou o acúmulo de conhecimento da agricultura tradicional, homens foram trocados por máquinas, pequenas propriedades deram lugar a monocultivos em áreas extensas, sementes crioulas foram substituídas pelas geneticamente modificadas. Para viabilizar o modo de produção em larga escala, a indústria química intensificou a produção de substâncias de combate a pragas e pesticidas são pulverizados em lavouras de forma indiscriminada com a justificativa de colocar comida farta nas mesas.

Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública. Trabalhadores rurais e populações de zonas agrícolas são atingidos diretamente e têm altos índices de câncer e suicídio. O perigo está na mesa de todos os brasileiros.

 

Filme

No documentário O veneno está na mesa, o cineasta carioca Silvio Tendler dimensiona a contaminação dos recursos naturais e os danos à saúde pública provocados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras, além de apontar as contradições de um modelo agrícola submisso aos interesses das indústrias de defensivos agrícolas e produtoras de transgênicos.

Parte da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, a produção conta com depoimentos de integrantes de entidades do movimento social, técnicos, agricultores e parlamentares – inclusive de defensores dos agrotóxicos e transgênicos –, além de uma intervenção do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, autor do livro As veias abertas da América Latina e um dos idealizadores do projeto.

Com base em estatísticas da Anvisa, ministérios da Agricultura e da Saúde, entre outros, o documentário sustenta, por exemplo, que cada brasileiro ingere por ano mais de 5 litros de venenos presentes de forma residual em frutas, verduras e cereais cultivados de norte a sul do país à base de pesticidas, fungicidas e herbicidas. São venenos banidos por outros países, mas que continuam sendo importados e utilizados em larga escala nas extensões de terras do agronegócio.

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