2 de dezembro de 2022


Morre aos 79 anos, o jornalista Carlos Chagas


26/04/2017


Jornalista Carlos Chagas. Foto: Divulgação

Jornalista Carlos Chagas. Foto: Divulgação

O jornalista Carlos Chagas morreu aos 79 anos, nesta quarta-feira (26), em Brasília. Carlos é o pai de Helena Chagas, ex-ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social no governo Dilma Rousseff. Ela avisou em sua página no Facebook sobre o falecimento. “Amigos, meu pai, jornalista Carlos Chagas, acaba de falecer. Era a melhor pessoa que conheci nesse mundo”, escreveu em um post.

Nascido em Três Pontas, em Minas Gerais, e morador de Brasília, ele iria completar 80 anos no próximo dia 20. Carlos era associado da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e também formado em Direito pela PUC-RJ. Foi um dos nomes mais expressivos do jornalismo brasileiro e professor da Universidade de Brasília (UnB) durante 25 anos.

O Correio Braziliense publicou que, no período da ditadura militar, Carlos Chagas foi assessor de imprensa da Pre¬si¬dência da República no governo do general Costa e Silva, e dessa experiência nasceu o livro “A Ditadura Militar e os Golpes Dentro do Golpe: 1964-1969”. Baseado nas suas próprias memórias e nos relatos de outros jornalistas, Carlos Chagas conta os bastidores do golpe de 1964, que tirou o presidente João Gou¬lart e pôs o general Castello Branco no poder.

Ao G1, Helena Chagas disse que o pai sofreu um mal súbito por volta das 6h desta quarta. “Ele já andava tendo de um ano para cá alguns problemas circulatórios, teve esquemia sem sequelas. Hoje foi um mal súbito. Entrou na UTI e estourou um aneurisma de aorta. Com isso, sei que ele não sofreu.”

Segundo ela, sem saber, o pai “convocou” a família para uma última reunião ainda no hospital.

“Ele deu instruções: ‘Tem que pagar meu imposto de renda. O cheque está lá em cima da mesa’. São coisas que uma pessoa diz naturalmente”, descreveu Helena Chagas.

Ao descrever o pai como “muito lúcido e muito ativo”, Helena diz que a vida dele foi “muito bonita”.

“Ele foi um grande jornalista. Um exemplo de seriedade, de amor à notícia. De amor à notícia, de honestidade. Não só para mim, mas para muitos outros alunos dele da Universidade de Brasília. Sempre com amor à notícia, amor à verdade.”

“Agora, falando como filha, posso dizer que meu coração está despedação. Ele foi um grande pai, um pai maravilhoso e protetor. Falando como filha, não tenho mais palavras.”

Trajetória

Chagas começou a carreira de jornalista no final do anos 1950, quando ainda cursava direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC). A primeira contratação foi no jornal O Globo, em 1959.

Na década de 1960 trabalhou no palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, como secretário de imprensa do então governador Negrão de Lima, quem conheceu durante coberturas jornalísticas do Partido Social Democrático (PSD).

Chagas também trabalhou no Estado de S.Paulo entre 1972 e 1988, sempre ligado a assuntos políticos. Na televisão, o jornalista foi chefe da TV Manchete em Brasília e passou por SBT, RedeTV e CNT. A última participação como comentarista político foi em dezembro do ano passado.

Durante a ditadura, em 1969, foi nomeado secretário de imprensa de Costa e Silva e escreveu 20 reportagens sobre os acontecimentos políticos da época, todas publicadas no Globo e no Estado de S.Paulo.

Chagas casou-se com Enila Leite de Freire Chagas, com quem teve duas filhas.

Vídeo de Carlos Chagas apoiando a Chapa Vladimir Herzog, liderada por Domingos Meirelles:

 

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