Livro reunirá reportagens
de Rogério Daflon


18/07/2019


Velório de Rogério Daflon (Acervo da ABI)

Em clima de muita tristeza e comoção, centenas de pessoas, entre parentes, amigos e muitos colegas de profissão, compareceram ao velório do jornalista Rogério Daflon na Associação Brasileira de Imprensa – ABI, nesta quinta-feira (18). Foi dia de um triste encontro para os profissionais de imprensa, que prestaram as últimas homenagens ao colega. Ele morreu na última segunda-feira, 15, vítima de atropelamento por uma moto, no bairro das Laranjeiras, ocorrido no dia 7 de junho.

Durante a cerimônia, a irmã de Rogério, Alice Daflon, anunciou o lançamento de um livro de coletânea com as suas reportagens, que será lançado na ABI. A irmã lembrou que Daflon praticava o jornalismo por ideologia e que ficou surpresa com a quantidade de profissionais de imprensa presentes na homenagem.

Pagê cumprimenta a irmã de Daflon, Alice (Acervo da ABI)

“Foi preciso meu irmão morrer para eu saber a real importância dele no jornalismo. Estou impressionada com a quantidade de jornalistas e com o amor que ele conseguia gerar em torno dele. Ele era um homem de caráter e personalidade, valores definidos, praticava um jornalismo voltado para a democracia, para os pobres e excluídos. Escolheu a profissão por idealismo. Lutou muito pela causa dos jornalistas. Ele era de esquerda e as melhores pessoas são de esquerda. Siga em paz, meu irmão, você foi um homem bom. Temos que honrar a memória dele”.

Chamado de Dafla e muito querido pelos amigos e colegas de redação, ele é lembrado pela delicadeza e caráter combativo no jornalismo e na vida.

O presidente eleito da ABI, Paulo Jerônimo de Sousa, lembrou que a quantidade de pessoas que se reuniram no velório na Casa do Jornalista nesta quinta-feira reflete a comoção com a morte de Daflon, e disse que esse é um ano de perdas irreparáveis para o jornalismo brasileiro:

“Em 2019, perdemos Ricardo Boechat, Clóvis Rossi, Paulo Henrique Amorim e agora, Rogério Daflon. É com imenso carinho que recebemos a família e os colegas de profissão reunidos aqui para prestar suas últimas homenagens a um profissional tão querido e engajado”.

Em discurso, o colega de profissão e amigo, Alexandre Baçallo falou sobre o companheiro desde os tempos da Faculdade Hélio Alonso, nos anos 80.

“Foi o equilíbrio e a generosidade desse homem que me fizeram pensar duas vezes antes de brigar. Eu era uma pessoa que resolvia tudo na briga. Ele pregava o amor. Nós éramos um quarteto, eu, Renato Lameiro e Júlio Clement, morto no acidente com a equipe da Chapecoense. O que nos dá força para continuar a trabalhar em prol da justiça social é o legado que Dafla nos deixou”.

O jornalista Aziz Filho definiu Daflon como um “anjo infiltrado”, por conta da doçura com que se relacionava com amigos e colegas de trabalho.André Balocco lembrou a maneira humana e ao mesmo tempo firme, de lidar com os companheiros de trabalho.

“Rogério era a pessoa mais doce que já conheci. Ao contrário de mim, nunca vi o Dafla alterando a voz. Nos conhecemos desde 1994, quando estava no Jornal do Brasil e ele no jornal O Globo. Nós éramos concorrentes e cobríamos o Fluminense por quatro anos. Ele era um gentleman. Era uma pessoa muito tranquila, mas não era nada subserviente”.

Após as orações, Alice Daflon fez o último discurso falando sobre o espírito inquieto do irmão.  “Era um profissional inquieto e comprometido em fazer um jornalismo ético, mesmo que isso custasse caro a ele. Engajado em causas sociais e ambientais.  Fez uma reportagem sobre o Cais do Valongo para a Agência Pública, que era a tradução da alma dele. Também era um jornalista engajado nas causas sociais, na luta sindical. Por isso ele também tem essa admiração dos colegas de profissão. Era um irmão e pai amoroso. Nunca vi o Rogério gritando, mesmo nos grandes embates políticos.”.

A irmã Maria Lúcia Daflon, também falou sobre sua personalidade e generosidade, que o levou a fazer a escolha de doar seus órgãos.

“De todos os irmãos, ele era o mais próximo de mim. Nós dividíamos os amigos da escola, da rua, os brinquedos. Ele tinha uma ligação muito forte com a música brasileira. Também tínhamos posições muito parecidas em relação às causas sociais. Era uma personalidade muito forte, com posicionamento muito definido, mas muito dócil, de fala mansa.”O sepultamento foi às 15h no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju.

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