8 de dezembro de 2022


Jornalista é impedido de entrar na Venezuela


31/07/2017


Jorge Lanata, Foto: Wikimedia Commons

O jornalista argentino Jorge Lanata, do Canal 13, foi detido por oito horas e impedido de entrar na Venezuela para a cobertura de votação da nova Constituição. O apresentador do programa Para Todos disse que foi detido por oito membros fortemente armados do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana (Sebin), informou Todo Noticias.

Segundo o Blog de Jornalismo nas Américas, o jornalista e sua produtora, Martina Perdiguero, foram deportados para o Panamá porque não foram autorizados pelo Ministério do Poder Popular para Comunicação e Informação (Minci) a fazerem reportagens no país.

Lanata contou a Todo Noticias que, pouco antes de serem libertados e escoltados para o avião, um dos membros do Sebin disse a ele: “Mandaram te dizer, de cima, que a Venezuela não é uma colônia”.

O jornalista também afirmou que provavelmente encontrará outra maneira de explicar o que está acontecendo em Caracas e mostrar a saída dos venezuelanos para a Colômbia. De acordo com o Todo Noticias, ele continuará informando sobre a Venezuela a partir da fronteira colombiana.

A Associação das Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) condenou a deportação de Lanata. “[Adepa] considera extremamente grave que o acesso de jornalistas a um país para cobrir um evento de notícias seja limitado”, afirmou a organização em comunicado de imprensa. “Esta medida viola os padrões democráticos e é um novo sinal da extrema deterioração dos direitos humanos e da liberdade de expressão na Venezuela”.

Essa é a segunda vez que Lanata foi detido na Venezuela, de acordo com El Trece, como o Canal 13 é conhecido na Argentina. Em outubro de 2012, Lanata e sua equipe foram interrogados ao entrar no país e detidos pelo Sebin ao sair. Na época, foi informado que seu material jornalístico havia sido apagado. Ele estava no país para cobrir as eleições presidenciais entre Hugo Chávez e Henrique Capriles.

Neste domingo, 30 de julho, o país realizará eleições para a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro. Os membros desta assembleia serão encarregados de criar uma nova constituição e terão a capacidade de dissolver instituições estatais. Em um referendo convocado pela oposição na Assembleia Nacional em 16 de julho, o grupo disse que 98% de mais de 7,1 milhões de eleitores rejeitavam a assembléia constituinte.

O dia em que Lanata foi deportado, 27 de julho, foi o segundo dia de uma greve de 48 horas convocada pela oposição para boicotar as eleições da assembléia constituinte. A oposição pediu novos protestos antes da votação, enquanto o número de mortos relacionados às manifestações aumentava e as autoridades solicitavam medidas de segurança para proibir protestos políticos, segundo informou a AP.

Também no dia 26 de julho, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou 13 ex-funcionários e atuais membros do governo venezuelano. De acordo com o The Hill, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros(OFAC) “foi atrás especificamente de pessoas envolvidas com as próximas eleições e com suposta repressão violenta de protestos, corrupção e manipulação monetária”.

O presidente Donald Trump ameaçou determinar novas sanções econômicas se o governo continuar com a votação. Em resposta, Maduro disse que não reconheceria nenhuma sanção dos EUA.

O Instituto da Imprensa e da Sociedade (IPYS) da Venezuela alerta para ameaças à liberdade de expressão nos dias anteriores à votação. O instituto registrou 22 casos de violações da liberdade de expressão de 24 de junho a 27 de junho. A maioria dos casos foi devido a ações da Guarda Nacional Bolivariana, disse a organização.

O IPYS Venezuela também disse que 17 correspondentes estrangeiros foram deportados do país entre 2016 e 2017.
Mais recentemente, em 28 de junho, a organização venezuelana de direitos humanos Provea informou que Paulo Paranuaga, jornalista brasileiro do jornal francês Le Monde, foi expulso da Venezuela ao tentar entrar no país.

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