28 de novembro de 2022


Entidade denuncia aumento da violência contra mulheres jornalistas


Por Cláudia Souza*

06/12/2013


 

Policiais agridem jornalista durante manifestação em Brasília/ Foto: Fabio Braga/Folha Press
Policiais agridem jornalista durante manifestação em Brasília/ Foto: Fabio Braga/Folha Press

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) está lançando uma campanha mundial para denunciar a violência contra mulheres jornalistas. O objetivo é chamar a atenção para os crescentes casos de ataques, estupros e assassinatos de mulheres no exercício da profissão.

—Tragicamente, as mulheres jornalistas estão sob ameaça maior do que seus colegas do sexo masculino, quando se trata de ataques, assédio moral, ameaças, estupro e abusos, usados como uma ferramenta para silenciar a sua voz. À medida que cada vez mais mulheres ingressam na profissão, a segurança deve ser primordial, disse a presidente do Conselho de Gênero da FIJ, Mindy Ran.

De acordo com relatórios enviados à FIJ, dezenas de mulheres jornalistas foram mortas no exercício de sua profissão em todo o mundo. As análises foram feitas a partir de janeiro de 2013.

No mês de fevereiro, Rebecca Davidson, da Radio Network árabe, com sede em Dubai, foi morta quando nas Ilhas Seychelles, no Oceano Índico.

Em março, Rahmo Abdulkadir, da Rádio Abudwaq, na Somália, foi baleada com cinco tiros no norte de Mogadíscio.

A jornalista Baiu Lu, do Urumqi Evening News, morreu em 18 de abril, durante a realização de entrevistas em um canteiro de obras em Urumqi, capital do noroeste da China.

Yarra Abbas, correspondente da Al- Ikhbariyah TVwas, morreu em 27 de maio, quando cobria confrontos perto da fronteira com o Líbano.

Na Rússia, em julho, Ekaterina Parkhomenko, correspondente da editora Kommersant, foi espancada pela polícia e detida ao relatar protestos em Moscou, e Galina Kramich, editora-chefe do jornal local, foi atacada perto de sua casa em Shatura, região de Moscou.

Habiba Ahmet Abd Elaziz, do jornal Xpress, nos Emirados Árabes, foi assassinada no dia 14 de agosto, no Egito, juntamente com outros quatro jornalistas.

Em setembro, a repórter Tatiana Rovenkova foi espancada durante uma incursão no escritório Khimki – Mídia em Moscou.

A repórter francesa Ghislaine Dupont, da Rádio France International (RFI) foi sequestrada e morta a tiros, em 2 de novembro, juntamente com o colega cinegrafista Claude Verlon, na cidade de Kidal, norte do Mali.

A jornalista Kamwira Sabedoria, acompanhada por colegas do Canal Congo TV e Radiodifusão Liberdade, foi seqüestrada por um grupo de quatro homens armados e duas mulheres na província de Kivu, ao Norte da República Democrática do Congo. Os criminosos a amarraram e a jogaram em um rio no meio da floresta. Três dias depois, ela foi encontrada viva, a 60 km de distância do local do seqüestro.

No Uzbequistão, Umida Akhmerdova, primeira cinegrafista do sexo feminino do Uzbequistão, foi presa por “danos à nação Uzbeque” após dirigir o filme “Burden of Virginity”, no qual destacou as tradições medievais e misóginas no Uzbequistão.

Brasil

O relatório da FIJ refere-se também a casos de violência contra 19 jornalistas brasileiras, especialmente durante a cobertura de protestos em todo o país nos meses de junho e julho:

Ana Kreep (Folha de S. Paulo) e Gisele Brito (Rede Brasil Atual ) atacadas por policiais com bombas de gás, sendo que e Gisele também foi agredida com golpes de cassetete no rosto, em 13 de junho;

Giuliana Vallone (Folha de S. Paulo) atacada pela polícia com tiros de balas de borracha nos olhos, em 13 de junho, em São Paulo;

Camila Pereira (Portal D24AM) e Marina Pagno (repórter da Rádio Bandeirantes), agredidas e perseguidas por manifestantes no dia 20 de junho;

Aline Moraes (TV Brasil) foi atingida por balas de borracha em 20 de junho;

Francine Spinasse (A Tribuna) atingida por balas de borracha disparadas por policiais do Batalhão de Missão Especial (BME), em 20 de junho;

Shirley Barroso (repórter da TV Record), agredida pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo no dia 26 de junho, em Belo Horizonte;

Tahiane Stochero e Gabriela Alves (repórteres do Portal G1) atacadas por manifestantes e por policiais durante a mesma manifestação;

Camila Henriques (Portal G1) e Izildinha Toscano (Portal da Amazônia) foram atacadas por manifestantes no dia 7 de setembro;

Bárbara Hora, assessora da deputada federal Iriny Lopes (PT/ES), foi presa por policiais militares e acusada de desacato quando cobria uma manifestação em Vitória;

Claudia Carvalho (site parlamento PB), sofreu ataques verbais do vereador João Almeida (PMDB/PB) por seu comportamento profissional, em retaliação às críticas feitas pela jornalista, em outubro, em João Pessoa.

*Com informações da Fenaj e agências internacionais.

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