Jornalista é assassinada na República Centro-Africana


Por Cláudia Souza*

14/05/2014


Camille Lepage posa ao lado de um africano (AP Photo/Sylvain Cherkaoui)

Camille Lepage posa ao lado de um africano (AP Photo/Sylvain Cherkaoui)

A Justiça francesa abriu nesta quarta-feira, 14, uma investigação para apurar as circunstâncias da morte da repórter fotográfica Camille Lepage, 26 anos, encontrada morta na noite desta terça, 13, na região de Bouar, na República Centro-Africana.

O presidente François Hollande anunciou a morte da jovem e prometeu empenho total para esclarecer as circunstâncias do assassinato e encontrar os responsáveis pelo crime.

Laurent Fabius, ministro francês das Relações Exteriores, lamentou a morte da jovem e disse que os criminosos devem ser punidos por um ataque que fere a livre expressão. “Não pode haver impunidade para aqueles que, através de jornalistas, atacam a liberdade fundamental de informar e ser informado” acrescentou.

O corpo de Camille foi localizado por tropas francesas que integram a operação Sangaris, dentro de um veículo da milícia anti-balaka, junto com outros quatro mortos. Camille estava fazendo uma reportagem sobre o grupo anti-balaka quando foram vítimas de uma emboscada da rebelião ex-Seleka, em Gallo, na fronteira com Camarões.

Um militar, que preferiu não se identificar, disse que a morte da jornalista data de dois dias. “O confronto, que durou cerca de meia hora, deixou pelo menos 10 mortos, sendo quatro membros anti-balaka e seis do grupo ex-Seleka.”

A República Centro-Africana é palco de grande violência desde que a rebelião ex-Seleka, de maioria muçulmana, intensificou os ataques contra os cristãos no país, que representam 80% da população. O grupo anti-balaka é formado por cristãos hostis ao ex-Seleka devido ao terror da população contra esta violenta milícia.

Jornalista independente

Camille Lepage nasceu na cidade de Angers, Oeste da França, era jornalista independente e filiada à agência Hans Luca. Seus trabalhos foram publicados nos veículos New York Times, Wall Street Journal, The Guardian, BBC, Washington Post, Le Monde, Libération, agência AFP, entre outros.

Apesar de jovem, Camille acumulava uma experiência na cobertura de conflitos. Ela  trabalhou na revolução egípcia em 2011, nos confitos no Sudão do Sul em 2012, e na República Centro-Africana a partir de dezembro do mesmo ano.

No Sudão do Sul, a jornalista colaborou com a AFP, onde era conhecida por seu “entusiasmo e sede de aprender”, como definiu Carl de Souza, editor de fotografia da AFP, na área que abrange o leste da África.

De acordo com Virginie Terrasse , uma das fundadoras da agência Hans Lucas, “Camille sabia exatamente o que fazia.”

Quando se candidatou à um estágio no site de informação francês Rue 89, Camille disse: “Eu me dedico ao jornalismo independente porque, antes de tudo, ele é o único digno. Sou apaixonada pelas causas esquecidas, pelas pessoas que sofrem em silêncio, por aquelas que ninguém presta atenção, e pelas que ninguém ousa falar a respeito.”

A mãe da fotógrafa, Maryvonne Lepage, confirma a motivação e a força do caráter da jovem. “Ela tinha a lógica de cobrir os conflitos que as mídias não se interessavam em noticiar. E procurava sempre trabalhar para os meios de comunicação de filosofia independente”, destacou.

*Com RFI, AFP

*Foto de capa: Reprodução article.wn.com

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