Cineasta Eduardo Coutinho é encontrado morto no Rio


Por Igor Waltz*

02/02/2014


Eduardo Coutinho (Crédito: Marília Martins/O Globo)

Eduardo Coutinho (Crédito: Marília Martins/O Globo)

O cineasta Eduardo Coutinho, de 80 anos, foi morto a facadas neste domingo, 2 de fevereiro, dentro de casa, no bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Seu filho, o jornalista Daniel Coutinho, de 41 anos, é o principal suspeito. Ele também seria o responsável por esfaquear a mãe e, em seguida, teria tentado se matar.

A mulher do cineasta, Maria Oliveira Coutinho, de 61 anos, foi internada em estado gravíssimo no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon. Ela levou três facadas, uma delas no fígado e passou por cirurgia. O filho, que supostamente sofre de problemas mentais, chegou ao mesmo hospital com duas facadas no abdômen. Ele também passou por cirurgia e seu quadro é estável.

O corpo do cineasta foi levado para o Instituto Médico Legal. A Divisão de Homicídios assumiu as investigações. O delegado responsável pelo caso estava no hospital por volta das 15h45 para colher o depoimento de Daniel.

Coutinho era considerado um dos maiores documentaristas do Brasil. O cineasta nasceu em São Paulo, em 11 de  maio de 1933 e dedicou mais de 40 anos ao cinema. Entre seus trabalhos de maior destaque estão “Cabra Marcado para Morrer”, “Edifício Master”, “Jogo de Cena” e “Babilônia 2000”. Em 2007, o cineasta ganhou um Kikito de Cristal, principal premiação do cinema brasileiro, pelo conjunto da obra. Seu último documentário, “As Canções”, foi lançado em 2011 e foi o 12º longa-metragem dirigido por ele.

Em 2013, quando completou 80 anos, Coutinho foi tema de uma série de homenagens, entre elas uma mesa na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), uma retrospectiva na Mostra de Cinema de São Paulo e o lançamento de um livro, organizado por Milton Ohata, com textos dele e sobre ele.

Jornalismo

Além de roteirista e diretor de cinema, Eduardo Coutinho também atuou em parte de sua carreira como jornalista. As experiências entre ficção e jornalismo formaram o Eduardo Coutinho documentarista. Aluno de uma das mais prestigiadas escolas de cinema, o Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (Idhec), fez parte do movimento do Cinema Novo na década de 60, mas a radicalização da censura tornou ainda mais difícil fazer cinema no Brasil.

A realidade de Coutinho era outra: tinha que trabalhar para sustentar a família e voltou ao jornalismo no início da década de 1970 como copidesque e crítico no Jornal do Brasil até receber o convite para trabalhar no “Globo Repórter”.

Durante os nove anos que atuou fazendo documentários para TV pôde praticar bastante o seu “ouvir” e a sua “conversa” que, como ele mesmo diz, serviram de vestibular para concluir a sua mais importante obra: “Cabra marcado para morrer” (1984) – filme premiado e aclamado pela crítica.

“Ele foi um cabra marcado para viver. Esta tragédia grega não acaba com a biografia de um dos cabras mais criativos e independentes da cena cultural brasileira. Foi um jornalista puro-sangue”, disse Alberto Dines, que foi companheiro de Coutinho na revista Visão na década de 1950 e  mais tarde no Jornal do Brasil.

Assista no link em seguida a entrevista que Eduardo Coutinho à Alberto Dines no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/videos/view/entrevista_eduardo_coutinho.

*Com informações do R7, Estado de S. Paulo e Portal IG, Observatório da Imprensa e site Visões Periféricas. 

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