7 de outubro de 2022


Cena nordestina com sotaque universal


25/09/2007


José Reinaldo Marques
28/09/2007

Nascido numa sexta-feira, 13, em abril de 1973, o recifense Leo Caldas diz que não é supersticioso. Sua marca, afirma, é perseguir seus objetivos, nem que tenha que batalhar para encontrá-los. Foi assim que cursou um ano de Medicina Veterinária e dois de Jornalismo, até descobrir que seu negócio era a fotografia:
— É curioso, mas cheguei lá via literatura. Gostava muito de ler, então pensei em trabalhar em jornalismo. E o interesse pela imprensa me levou ao fotojornalismo, em que minha maior influência é Robert Capa.

Em 1992, Leo foi ser arquivista na Fotografia do Jornal do Commercio de Pernambuco:
— Foi uma época muito rica para o meu aprendizado. Toda a produção fotográfica diária do jornal passava por mim, para identificação e distribuição. Depois de nove meses, fui promovido a laboratorista, função ainda mais enriquecedora, que me fez olhar o trabalho de cada fotógrafo, estudar composição, luz, cortes, manhas…

Enfim, chegou o momento tão esperado: em outubro de 1994, foi promovido a fotógrafo, atividade em que o que mais atrai é documentar o cotidiano de uma cidade, um povo, um país como forma de expressão:
— Como se diz no jargão, adoro estar nas ruas, vendo gente, tipos, fazendo parte dessa história e ajudando a escrever a vida da forma como vejo e entendo.

Evolução

Leo não vê diferenças entre a fotografia que se faz no Nordeste e a de outras regiões do País:
— Ambas vivem a mesma evolução. O Sul e o Sudeste têm mais poder aquisitivo, então seus profissionais têm mais acesso a equipamentos e conhecimentos. Por outro lado, o Nordeste começou a se inserir no mercado nacional com mais qualidade e competitividade.

Os cursos profissionalizantes também melhoraram muito na região, segundo Leo:
— Da mesma forma, os fotojornalistas hoje procuram expor seus trabalhos de uma forma mais elaborada, tanto em exposições como em livros. Não digo que o que se fez até hoje é menor ou menos importante. Longe disso. É que o mercado, em qualquer área, hoje exige um conhecimento que vai além da especialização de cada um. Com isso, acho que ganhamos mais consciência do nosso cotidiano como profissionais.

Mesmo cético em relação ao futuro do planeta, Leo Caldas acredita muito na fotografia como forma de humanizar, educar e esclarecer as pessoas:
— As pessoas estão cada vez mais embrutecidas. Através das imagens, é possível reconduzir os fatos de forma civilizada.

Foi o que tentou fazer no livro “Cores e sentimentos de Pernambuco” (ed. Escrituras, 2004), lançado com em parceria com o colega Alexandre Belém — “a obra valoriza a cultura, a religião, o turismo e outros aspectos do estado”, diz o fotógrafo, que, além do Jornal do Commercio, passou pelo Diário de Pernambuco e a Agência Lumiar e é sócio-fundador da Titular Agência Fotográfica, que tem como clientes títulos como Folha de S. Paulo, Estadão, Valor Econômico, CartaCapital, Veja e Época

Maratona

No momento, Leo aproveita o sucesso da maratona fotográfica “O Brasil passa pelo Sesc”, em que, com outros 37 fotógrafos, passou quatro dias documentando sete projetos sociais que são desenvolvidos pela entidade no Brasil. Quanto a competições, não é muito de participar, mas ganhou o Prêmio Cumplicidades, com “Missa do Vaqueiro”, num salão fotográfico no Porto, em Portugal.

Do ponto de vista do mercado, ele afirma que se sente realizado por pertencer a um grupo de fotógrafos que está fora do eixo Rio-São Paulo, mas tem trabalhos publicados nos maiores veículos da imprensa brasileira:
— Pelo lado autoral, porém, ainda falta muita coisa. Trilhar o percurso em busca da realização é o que me move. 


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