Casos mais urgentes de crimes contra jornalistas


05/06/2019


A lista com os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças cometidas contra jornalistas do mês de junho foi publicada neste dia 3 pela One Free Press Coalition. No Brasil, o jornal O Estado de S.Paulo faz parte dessa união e divulgou em seu portal a lista de junho.

A iniciativa é uma coalizão de veículos de comunicação do mundo todo para denunciar crimes e ameaças contra jornalistas. A missão da One Free Press Coalition é usar as vozes coletivas de seus integrantes – que alcançam mais de 1 bilhão de pessoas – para defender os jornalistas que estão sendo atacados durante o exercício da profissão.

 

A coalizão comemorou a notícia de que os repórteres da agência Reuters Wa Lone e Kyaw Soe OO foram libertados da prisão em Mianmar logo após receber o Prêmio Pulitzer e aparecer na lista da coalizão no mês passado.

Além do Estado, fazem parte da One Free Press Coalition jornais como Financial Times, The Boston Globe, Corriere della Sera, Süddeutsche Zeitung, Le Temps e De Standaard; os portais HuffPost, EURACTIV e Yahoo News; as revistas Forbes, Fortune, Time e Republik, as agências de notícias The Associated Press e Reuters; e as emissoras de televisão CNN Money Switzerland e Deutsche Welle.

Veja a lista dos casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas de junho

 

1- Azory Gwanda (Tanzânia)

O caso do jornalista freelancer Azory Gwanda, que trabalhava na zona rural da Tanzânia, na África Oriental, é atualmente considerado o mais grave pela equipe da One Free Press Coalition. Ele está desaparecido desde o dia 21 de novembro de 2017. Antes do sumiço, Gwanda estava apurando mortes misteriosas em sua comunidade. O governo da Tanzânia não abriu até agora uma investigação confiável sobre o caso.

 

2- Jamal Khashoggi (Arábia Saudita)

Oito meses após o assassinato brutal de Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, e mesmo com descobertas da CIA que apontam o envolvimento do príncipe herdeiro saudita no crime, não há nenhuma investigação criminal independente da ONU sobre o caso. Os apelos para que a Casa Branca libere os relatórios de inteligência foram ignorados, além do prazo para responder ao Congresso, conforme exigido pela Lei Global Magnitsky dos Estados Unidos.

 

3 – Aasif Sultan (Índia)

Aasif Sultan, repórter da revista Kashmir Narrator, foi preso acusado de conspirar contra o Estado em agosto de 2018. O jornalista foi interrogado várias vezes e coagido pela polícia a revelar suas fontes. Ele tem enfrentado também problemas de saúde enquanto permanece na cadeia.

 

4- Claudia Duque (Colômbia)

A repórter investigativa Claudia Duque foi sequestrada, vigiada ilegalmente e torturada psicologicamente por décadas. Os tribunais colombianos condenaram três oficiais de alta patente das forças de segurança do país e tornaram outros oito réus. Nenhum deles passou um único dia na cadeia.

 

5 – Miguel Mora e Lucía Pineda (Nicarágua)

Em dezembro, a polícia da Nicarágua invadiu a emissora de TV 100% Noticias e prendeu o diretor do canal, Miguel Mora, e a diretora de jornalismo, Lucía Pineda. Os dois jornalistas estão detidos há mais de seis meses sob a acusação de “incitar o ódio e a violência”. Ambos têm tido problemas de saúde na cadeia e tiveram pedidos de acesso a seus advogados negados.

 

6 – Truong Duy Nhat (Vietnã)

O blogueiro vietnamita Truong Duy Nhat, que trabalhava para a Radio Free Asia (RFA) dos Estados Unidos, desapareceu em janeiro em Bangkok, na Tailândia, onde havia pedido status de refugiado. Desde então, está preso em Hanói, capital do Vietnã, sem ter sido alvo de nenhuma acusação formal. Nhat já havia cumprido pena de dois anos de prisão, entre 2013 e 2015, sob acusação de ‘abusar da liberdade democrática para infringir interesses do Estado vietnamita’.

 

7 – Sevinc Osmanqizi (Azerbaijão)

A emissora pró-governo do Azerbaijão Real TV ameaçou e tentou extorquir a jornalista Sevinc Osmanqizi em razão de seu trabalho como repórter política. Ela se exilou nos Estados Unidos, onde hoje tem um programa no YouTube sobre a situação em seu país natal. A Real TV publicou áudios de conversas de Sevinc em seu telefone pessoal e um âncora da emissora ameaçou divulgar fotos íntimas dela caso continuasse fazendo seu trabalho no Azerbaijão.

 

8 – Abderrahmane Weddady e Cheikh Ould Jiddou (Mauritânia)

Os blogueiros da Mauritânia estão presos na cidade de Dar Naim desde março, acusados pelo governo de espalhar notícias falsas. Eles escreviam sobre a corrupção no país. As autoridades os interrogaram e confiscaram seus documentos de identificação e passaportes.

 

9 – Seyoum Tsehaye (Eritreia)

Tsehaye foi um dos vários jornalistas da Eritreia presos após o governo banir veículos de imprensa não-estatais em 2001, em retaliação a críticas ao presidente Isaias Afwerki. As autoridades do país africano nunca informaram o local, o estado de saúde ou o status legal dele e dos demais presos.

 

10 – Mina Karamitrou (Grécia)

Um explosivo foi disparado debaixo do carro de Mina Karamitrou, repórter policial da CNN na Grécia, no início de maio. Ninguém ficou ferido na explosão, que ocorreu do lado de fora da casa da jornalista. Mina acredita que o ataque é relacionado à sua cobertura sobre o caso de um homem que cumpre pena de prisão perpétua por vários assassinatos. Ninguém foi preso até o momento.

 

Fonte: Portal Imprensa

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