Amigos festejam o centenário de Beatriz Bandeira


10/12/2009


Cerca de cem pessoas compareceram à celebração do centenário da ativista política, professora, poetisa e atriz Beatriz Vicência Bandeira Ryff, a “Vivi”, completados nesta terça-feira, 8 de dezembro. A cerimônia foi realizada na Sala Belisário de Souza, no 7º andar do prédio da ABI, foi aberta pelo Presidente da entidade, Maurício Azêdo — que destacou a “trajetória de sua luta política a serviço dos interesses do povo brasileiro” —, e organizada pela ex-nora da homenageada, a socióloga e ativista política Maysa Pinto Machado.

Compareceram à cerimônia parentes, amigos, militantes políticos e representantes de diversas entidades e movimentos sociais. Entre eles estavam o diretor de Cultura e Lazer da ABI, Jesus Chediak, o Deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), os ex-Deputados Vivaldo Barbosa e Carlos Fayal, a ativista Edialeda Nascimento, Presidente do Movimento Negro do PDT, o Secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, e um dos filhos de Beatriz, o ex-Secretário municipal de Planejamento do Rio, Tito Ryff, além de netos, entre outros.
Em seu discurso Maurício Azêdo ressaltou que a ABI é a casa da liberdade de expressão, da defesa das tradições de luta do povo brasileiro e que, tradicionalmente, presta reverência permanente àquelas figuras que dignificam a vida nacional com sua trajetória política a serviço dos interesses maiores do povo brasileiro, como fez Beatriz Bandeira:
— A presente seção tem em vista homenagear Beatriz que, por motivos mais ou menos óbvios, não pode estar conosco aqui, trazendo o calor de sua presença física, embora esteja presente com sua firmeza espiritual e também com a obra que realizou, que será evocada aqui por quantos se dispuserem a prestar o seu testemunho de exaltação a uma das maiores mulheres que o nosso País conheceu – disse Maurício Azêdo na abertura da homenagem.

A mesa que coordenou a cerimônia foi composta pela Presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional, Maria Augusta Tibiriçá; a professora Jane Quintanilha Nobre de Melo, do Grupo Tortura Nunca Mais; o advogado Modesto da Silveira; a socióloga Moema Toscano; a atriz Maria Pompeu; o cineasta Silvio Tendler; e o economista Tito Ryff.

Antes de passar a presidência da Mesa a Maysa Pinto Machado, pois tinha compromissos assumidos anteriormente, Maurício Azêdo divulgou o convite que a Câmara dos Vereadores fez à ABI para a entrega do título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, “in momoriam”, a Carlos Marighella, no dia 17 de dezembro, às 18h30.

Ele também leu as mensagens enviadas dos amigos e companheiros que não puderam comparecer, como do advogado João Tancredo, Presidente do Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos; do jornalista Sérgio Cabral; e de Ivan Pinheiro, Presidente do Partido Comunista Brasileiro.

Iniciada a sessão, a atriz Maria Pompeu leu quatro poemas de Beatriz Bandeira (“Roteiro”, “Com Deus pela liberdade”, “A mocidade” e “Para um senhorita em paz consigo mesma”), destacando a diversidade de temas abordados pela poetisa. Tito Ryff, em seguida, agradeceu à iniciativa, às entidades que colaboraram para a realização da homenagem e à ABI, que é “uma instituição do povo brasileiro e para nós é uma honra que esta cerimônia seja realizada aqui”.

Discursos

Maria Augusta Tibiriçá disse que se ateria em um aspecto que praticamente só as duas amigas poderiam tocar: a longevidade. Por estar com 92 anos, Maria Augusta disse que ela e Beatriz já ultrapassaram a fase de idosas, sendo “longevas”:
— Para chegar aonde chegamos, é preciso que a gente se prenda à alegria de viver e a tudo que é bom. Nosso lado bom sempre vai nos ajudar a resolver os nossos problemas pessoais e os sociais também”, ensinou. Ela citou o compositor Gonzaguinha como uma dos preferidos da homenageada.

A professora Jane Quintanilha Nobre de Melo ressaltou a “invencível determinação de Dona Vivi” e que ela é a única sobrevivente da Sala 4 da Casa de Detenção do Rio de Janeiro, na ditadura Vargas, onde esteve com Nise da Silveira, Maria Werneck e Olga Benário, entre outras. “É por ela que eu brado: Pela vida, pela paz, tortura nunca mais”, afirmou Jane Quintanilha,

Em seguida foi vez do advogado Modesto da Silveira dar o seu depoimento sobre a sua relação com Beatriz, lembrando o sofrimento da ativista durante a ditadura Vargas:
— Ainda temos muitas seqüelas daqueles 21 anos (referindo-se ao golpe de 1964), que já fazem 45 anos. Mas quando eu tive acesso a um processo de 1935, na ditadura Vargas, vi um ambiente pior do que em 1964 – disse o advogado, pedindo que os lutadores brasileiros como Beatriz e seu marido Raul Ryff também “sejam nomes de ruas e praças”.

A socióloga Moema Toscano, uma das autoras da idéia da homenagem, destacou que Dona Vivi teve uma biografia própria, num momento em que o casamento acabava com todas as pretensões da mulher, seja nas artes ou nos movimentos sociais:
— Ela mostrou que ser uma mulher atuante ou do lar, as atividades não se excluem. Podem se completar e se reforçar. Valeu a pena ser Beatriz.

A atriz Maria Pompeu lembrou da peça teatral que fizeram jutas, “Diálogos das Carmelitas”, em 1955, no Teatro Copacabana, produzida pelo Congresso Eucarístico Internacional.

O cineasta Silvio Tendler, amigo da família, lembrou que Raul Ryff era Secretário de Imprensa do Governo João Goulart e Beatriz falava mal do Governo no jornal Novos Rumos, do Partido Comunista.

Tito Ryff voltou a agradecer a homenagem referindo-se “à leitura emocionada dos poemas de minha mãe”. O economista lembrou uma fase muito dita por sua mãe: “A rebeldia é a mais alta disciplina do caráter”.
Antes de terminar a sessão, Maysa contou que perguntou à ex-sogra se gostava do apelido de Vivi, e que obteve dela a seguinte resposta: “Não sou de esquecer quem eu fui”.

Em seguida, foi exibido um vídeo produzido pela TV Câmara em que a poetisa é a protagonista.

    

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