Acusados da morte de Valério Luiz vão a júri popular em Goiás


Por Igor Waltz*

21/08/2014


O jornalista Valério Luiz foi morto no dia 5 de julho. (Crédito: Reprodução/PUC-GO TV)

O jornalista Valério Luiz foi morto no dia 5 de julho de 2012 (Crédito: Reprodução/PUC-GO TV)

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou que os acusados pela morte do jornalista esportivo Valério Luiz, em julho de 2012, vão a júri popular. Serão julgados o tabelião Maurício Sampaio, os policiais militares Ademá Figueredo Aguiar Filho e Djalma Gomes da Silva, o motorista Urbano de Carvalho Malta e o açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier, este último detido em Portugal.

O advogado e filho do jornalista, Valério Luiz Filho, acredita que a decisão do juiz Lourival Machado da Costa indica que a Justiça já tem elementos suficientes no inquérito para submeter todos os acusados a julgamento. Eles têm até esta sexta-feira, 22 de agosto, para recorrer.

“Só quando esse recurso e seus desdobramentos forem julgados, a data do júri poderá ser marcada, o que deve ocorrer dentro de um a dois anos”, acredita Valério. “Nossa esperança é que a Justiça mantenha a decisão”.

Maurício Sampaio e Ademá Figueredo são indiciados por homicídio qualificado, mediante pagamento ou promessa de recompensa, agravado por ter sido feito com emboscada e recurso que torna difícil ou impossível a defesa da vítima. Os demais respondem por coautoria do assassinato.

A Justiça decidiu ainda pelo bloqueio dos bens de Maurício Sampaio e de sua filha. O juiz Ricardo Prata, da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, acatou o pedido do Ministério Público de bloquear cerca de R$ 600 mil por irregularidades no cartório em que ele era titular.

Caso

Valério Luiz, de 49 anos, foi morto na tarde do dia 5 de julho de 2012, no momento em que deixava seu trabalho na Rádio Jornal, em Goiânia. Segundo informações da Polícia Militar, uma moto se aproximou do carro em que o radialista estava e disparou seis tiros contra ele.

O autor dos disparos seria Ademá, supostamente a mando de Maurício Sampaio. O assassino teria pego a moto, a arma e o capacete emprestados de Marcus Vinícius, enquanto Urbano estaria vigiando a vítima nas proximidades da rádio. Ademá e Djalma faziam a segurança pessoal do tabelião.

O motivo do crime seriam as críticas de Valério ao time de futebol Atlético, do qual Sampaio era vice-presidente. O cartorário teria, inclusive, oferecido dinheiro à emissora de TV em que Valério tinha um programa, para afastá-lo.

Extradição

A família de Valério Luiz luta agora pela celeridade no processo de extradição de Marcos Vinícius. Ele se entregou às autoridades portuguesas no dia 7 de agosto, depois de ter seu nome incluído no site da Interpol como “foragido”. O pedido para que o acusado retorne ao país já foi formalizado pelo TJGO e o Ministério da Justiça, em Brasília, tem até 60 dias para tomar as medidas cabíveis para o cumprimento da ordem judicial.

A prisão preventiva havia sido decretada no dia 24 de março, pelo próprio juiz Lourival Machado da Costa, após descumprimento das condições que lhe foram impostas no momento em que sua prisão havia sido revogada. O acusado deveria comparecer em juízo mensalmente e estava proibido de se ausentar de Goiânia sem comunicação prévia ao magistrado.

“Esperamos que com a prisão de Marcos Vinícius o processo ande mais rápido. Esperamos que ele confirme sua participação no crime e colabore com o inquérito”, disse Valério Luiz Filho.

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