28/11/2019
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) apresentará nesta quinta, 28 de novembro, na sala Belisário, no sétimo andar, a primeira exibição do filme “Codinome Clemente”, cinebiografia de Carlos Eugênio Paz. Trata-se do último líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização revolucionária que atuou durante os chamados “anos de chumbo”.
O título faz referência ao nome dado ao guerrilheiro em seus tempos de luta armada. Roteirizado, dirigido e produzido pela cineasta Isa Albuquerque, a obra estava prevista para estrear em todo o Brasil em novembro., junto com “Mariguella”, de Wagner Moura. Os dois lançamentos, porém, foram impedidos de acontecer por problemas burocráticos junto à Agência Nacional de Cinema – ANCINE.
Carlos Eugênio Paz era um homem que não tinha medo de falar tudo o que fez na ditadura, inclusive os assassinatos que cometeu. Recebia a imprensa com a tranquilidade de quem nada tinha a esconder.
Falecido em junho de 2019, aos 69 anos, por complicações de um câncer de garganta, não viveu para ver sua história circulando nos cinemas.
O Brasil de 2019 é um país que quer esconder a história. É um país que quer calar a memória e a voz de quem achava tão importante falar e contar tudo.
Certa vez, ao entrevistar Carlos Eugênio, perguntei por que ele fazia tantas palestras em colégios pelo Brasil. Ele respondeu: “Porque o Juquinha precisa saber”.
O sonho dele era que os “Juquinhas”, crianças, adolescentes e jovens, soubessem, por exemplo, a história do mato-grossense Apolônio de Carvalho, herói de três pátrias quase desconhecido naquela na qual nasceu. Apolonio participou da Guerra Civil Espanhola, da Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial e lutou contra o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil.
Ao abrir espaço para que seja exibido esse filme, a ABI, tradicional casa de lutas por liberdade de expressão, ajuda os Juquinhas a saber a história de Clemente. Se eles não souberem na sessão, que quem estiver lá repasse.
Após a exibição, haverá debate com Isa Albuquerque, com a historiadora Maria Claudia Badan Ribeiro, companheira de Clemente em seus últimos anos, e o jornalista e ex-guerrilheiro Franklin Martins.
(*) Ana Helena Tavares é jornalista, conselheira da ABI, e mediará a mesa de debate.