7 de outubro de 2022


Uma mídia ainda em busca de definição


22/08/2006


Rodrigo Caixeta
21/07/2006

Há alguns anos, surgia no Brasil uma mídia que ainda hoje carece de definição própria: o telejornalismo online. As primeiras experiências datam do fim dos anos 90, com a ida de Paulo Henrique Amorim para o “UOL News”, seguido por Lilian Witte Fibe, na TV Terra. Hoje, Lilian comanda a programação no UOL, Amorim voltou para a televisão convencional e apresentadores pouco conhecidos estão na TV Terra. Enquanto isso, no mundo acadêmico, o “TJ Uerj” foi o primeiro telejornal universitário experimental via internet do País, lançado em abril de 2001.

De acordo com alguns jornalistas e professores, adeptos desta nova mídia, o que se faz é seguir uma receita de TV com ingredientes de internet, ou seja, usar os recursos do telejornalismo, mas com a interatividade da grande rede. Segundo Antonio Brasil, jornalista com larga experiência em TV e criador do “TJ Uerj”, o termo “telejornalismo online” é ainda o mais próximo da definição desta nova ferramenta de comunicação:
— Está se fazendo a migração da televisão e do telejornal para um meio chamado internet. Se pararmos para pensar, no começo, os noticiários existiam apenas nos cinemas — era o chamado cinejornal. Os primeiros telejornais eram radiojornais adaptados para a televisão, como o “Repórter Esso”, que levou algum tempo para encontrar uma linguagem específica para aquele novo meio. 

  Alberto Luchetti

Antonio diz ainda que telejornalismo online é simples marketing:
— É, na verdade, um sistema multimídia na internet. O conceito de TV é do século XX; o do XXI é algo que ainda será inventado, as novas gerações é que vão definir, com outra visão. Vivemos um momento de transição.

Alberto Luchetti, fundador da allTV, a primeira televisão da internet com programação ao vivo, diz que se chamarmos essa nova mídia apenas de telejornalismo online, falamos em TV:
— Quando a allTV foi criada, o conceito era pegar as coisas mais importantes de cada veículo — do jornal impresso, o texto; do rádio, o imediatismo; da TV, a plástica e a imagem. Disso nasceu o canal, da soma desses meios. É o resultado da convergência das mídias, aliada à interatividade. 

 Lillian Witte Fibe

Começo 

Mara Gama, gerente geral de Entretenimento do UOL, conta que a TV UOL estreou em 30 de maio de 1997, com 24 horas de programação no ar, à base de clipes, entrevistas e trailers. Em 17 de dezembro de 1996, transmitiu a primeira cobertura online, com imagens capturadas por webcams e jogadas dentro de uma sala de bate-papo, em que repórteres escreviam o texto ao vivo:
— Era a premiação, em São Paulo, do Troféu Noite Ilustrada, que leva o nome da coluna de Érika Palomino, da Folha. Hoje, entre outras coisas, transmitimos os melhores momentos de partidas de futebol, shows, peças de teatro, entrevistas com artistas, músicos, escritores, reportagens sobre música, documentários de curta duração, passeios virtuais por exposições. 

Segundo Mara, atualmente a programação inclui coberturas cada vez mais amplas de eventos ao vivo, com destaque para shows e desfiles:
— Além disso, o “UOL News”, ancorado por Lillian Witte Fibe, traz, em sua programação diária, a cobertura política e econômica, com comentaristas e colunistas de peso, quadros sobre esporte, saúde, família, cinema e o mundo das celebridades. E o UOL também transmite ao vivo a programação televisiva da BandNews e da BandSports.

Mara diz que, na TV UOL, a produção é diária e tem crescido nos últimos cinco anos. Das transmissões ao vivo, as de esportes e entrevistas com personalidades estão entre as mais procuradas:
— Dou um exemplo do poder de potencialização da TV na internet: transmitimos a peça “Terça insana” e tivemos 23 mil players ligados. No Avenida Club, em São Paulo, onde a peça estava em cartaz, cabiam apenas 600 pessoas! 

Diferenças 

Para Mara, existem diferenças não apenas técnicas, mas também de comportamento e de linguagem entre o formato da produção veiculada na internet e a de TV. Há algum tempo, eram poucos os produtos feitos originalmente para a televisão que resistiam à exibição na tela do computador, porque a maior parte dos acessos era feito por conexão discada e a transmissão de dados em baixa velocidade dificultava a boa visualização e audição de programas:
— Era freqüente ver um vídeo “engasgando” na tela do computador. Com o aumento do número de computadores que dispõem de maior velocidade de transmissão e melhores codificações de arquivos de vídeo, as restrições por conta da qualidade de imagem foram diminuindo. O vídeo na internet foi deixando de ser o primo pobre do vídeo na TV.

Ao mesmo tempo em que a velocidade de conexão aumentou, o vídeo na internet foi se sofisticando:
— As possibilidades de interatividade só aumentaram. A navegação pode ser cada vez mais ativa. Você pode agregar ao vídeo conteúdos complementares, ele pode ser a provocação de uma série de outras ações: votações, enquetes, leitura de um texto, visualização de um álbum de fotos… Esta característica agregadora possibilita uma espécie de adensamento editorial. Você, como editor, pode reforçar sua mensagem por diversos meios.

A interatividade, porém, gera também uma grande força de desconcentração. No computador, pode-se ver um vídeo enquanto se escreve um e-mail sobre outro assunto, faz busca ou compras em outros sites, ou põe texto no blog, por exemplo:
— O vídeo pode ser uma das inúmeras janelas abertas. Quem produz para a internet tem de estar atento às contradições específicas do meio. A experiência de assistir a um vídeo no computador é bem diferente da que se tem na TV. E não há um jeito único de navegar! 

Copa do Mundo

A TV Terra é um pouco mais jovem, completou cinco anos em dezembro passado. De acordo com informações do release enviado pelo portal, para a Copa do Mundo deste ano foram investidos R$ 20 milhões num projeto que incluiu cobertura multimídia completa, com texto, fotos, vídeos, interatividade e um compacto de todas as 64 partidas aberto a todos os internautas.

Uma equipe de 54 profissionais esteve envolvida no projeto para levar ao usuário todas as informações sobre o Mundial de futebol. O conteúdo da TV Terra é de acesso livre e qualquer usuário pode acessar vídeos ao vivo dos mais diversos assuntos, como cinema, esportes, “Jornal do Terra” e música. 

No meio acadêmico

    

 volta ao topo  voltar

 

        

Siga a abi

© 2013 ABI - Associação Brasileira de Imprensa – todos os direitos reservados -Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Centro, Rio de Janeiro - RJ, Cep: 20030-012