Prêmio à “Charlie Hebdo” é repudiado por escritores e intelectuais de todo o mundo


Por Cláudia Souza*

06/05/2015


Gerard Biard, editor chefe do jornal, durante a premiação (Foto: Reprodução G1)

Gerard Biard, editor chefe do jornal, durante a premiação (Foto: Reprodução G1)

Sob forte esquema de segurança o jornal humorístico francês “Charlie Hebdo” recebeu o prêmio da Associação Literária e de Defesa da Liberdade de Expressão Americana (PEN, na sigla em inglês) na noite desta terça-feira, dia 5, em cerimônia realizada no Museu de História Natural, em Nova York, nos Estados Unidos.

Mais de 200 escritores assinaram uma carta aberta criticando a premiação, e dezenas cancelaram a presença no evento por considerarem as publicações do veículo ofensivas aos muçulmanos, e promotoras da intolerância cultural.

A segurança em torno do local da premiação foi reforçada em função do ataque, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), ocorrido no último domingo, dia 3, em um pavilhão esportivo em Garland, subúrbio de Dallas, no Texas, que abrigava uma exposição de charges do profeta Maomé. Um policial foi ferido e dois homens, supostamente envolvidos no atentado, foram mortos.

Repúdio

A divisão de opiniões sobre a escolha do jornal “Charlie Hebdo” iniciou dentro da organização do prêmio, quando seis membros da  PEN American Center foram contrários à escolha, com o apoio de outros 140 integrantes. “Para uma parcela da população francesa que já é marginalizada e vitimizada, uma população marcada pelo projeto colonial francês e que possui uma grande quantidade de muçulmanos, os cartuns de Maomé no ‘Charlie Hebdo’ devem ser vistos como tendo o objetivo de causar ainda mais humiliação e sofrimento”, afirma um dos trechos da carta assinada por mais de 200 escritores de todo o mundo.

A PEN American Center, associação internacional de escritores que defende aqueles que são perseguidos, presos e mortos por suas opiniões, alegou que o jornal francês pagou “o preço definitivo” pelo exercício da liberdade de expressão, e que merecia ser reconhecido “por ter enfrentado um dos atentados mais nocivos na memória recente”.

O editor chefe do jornal, Gerard Biard, e o ensaísta e crítico Jean-Baptiste Thore receberam o troféu e homenagearam os colegas assassinados em 7 de janeiro último durante o ataque  à Redação da revista em Paris, onde morreram 12 pessoas, sendo cinco cartunistas.”A missão de satirizar os temas sagrados permanece. Estar impressionado é parte do debate democrático. Ser atacado a tiros, não. Crescer para ser um cidadão é aprender que algumas ideias, algumas palavras, algumas imagens, podem ser escandalosas, disse Biard, em seu discurso.

Atentado nos EUA

Na noite do último domingo, dia 3, a polícia do Texas matou a tiros dois homens armados que abriram fogo do lado de fora de um pavilhão esportivo localizado em Garland, subúrbio de Dallas, que abrigava uma exposição de charges do profeta Maomé.

Os suspeitos teriam seguido de carro até a entrada do pavilhão, logo após o encerramento do evento, e atiraram contra um agente de segurança, segundo informações da polícia e de autoridades municipais. Em seguida, agentes da polícia de Garland que atuavam na segurança do evento trocaram tiros com os suspeitos, que foram mortos.

Através da rádio Al Bayan, via internet, os terroristas do Estado Islâmico(EI) afirmaram que “dois soldados do califado” foram os responsáveis pelo ataque em Garland, no Dallas.

A mensagem do EI terminou com uma ameaça aos Estados Unidos: “Os próximos ataques serão mais duros e brutais. Esse futuro está próximo”. O comunicado do grupo terrorista mencionou Elton Simpson, de 30 anos, e Nadir Soofi, de 34, como os irmãos do EI mortos em Dallas.

Fonte: Associated Press e Reuters

 

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