Policiais que arrastaram mulher deixam presídio no Rio de Janeiro


21/03/2014


Policiais prestaram depoimento na 29ª DP (Madureira) na última quarta-feira, dia 19 (Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Policiais prestaram depoimento na 29ª DP (Madureira) na última quarta-feira, dia 19 (Crédito: Tomaz Silva/Agência
Brasil)

Os três policiais militares que estavam no carro que arrastou o corpo da auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira pelas ruas do bairro de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, foram soltos no início da tarde desta sexta-feira, 21 de março. De acordo com informação da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Alex Sandro da Silva Alves, Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Archanjo deixaram o presídio Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, por volta das 12h.

Cláudia havia sido baleada em um tiroteio entre policiais e traficantes, no Morro da Congonha, no domingo, dia 16, e depois arrastada por uma viatura. Segundo a decisão da Justiça Militar, não é possível ter certeza de que os policiais sabiam que Cláudia estava fora do carro policial e ignoraram o fato.

No fim da manhã desta sexta-feira, familiares de Cláudia compareceram à 29ª Delegacia, em Madureira, onde prestaram depoimento. Quatro pessoas foram ouvidas, entre elas o viúvo Alexandre Fernandes, a filha Thaís Ferreira, além de outras duas mulheres não identificadas. A família criticou a decisão da Justiça e classificou como lamentável a libertação dos policiais.

O advogado dos parentes da vítima, João Santos Tancredo, classificou como bombástico e incriminatório o relato das testemunhas. Ainda segundo Tancredo, elas contaram que o tiro saiu da arma do policial que estava em frente à auxiliar de serviços gerais e que esse disparo foi feito a curta distância, atingindo o peito de Cláudia e depois o muro próximo.

Uma das testemunhas contou que não havia confronto na comunidade. Além disso, os policiais tiraram o corpo de Cláudia do local quando ela já estava morta com intenção clara de alterar o local do crime para dificultar a investigação.

“O depoimento é realmente fantástico. Uma moradora correndo todos os riscos de quem mora em um comunidade resolveu dizer a verdade”, disse Tancredo.

Depois do depoimento, o vigia Alexandre Fernandes, marido de Cláudia, voltou a dizer que está com medo, mas descartou a possibilidade de entrar num programa de proteção.

O delegado Carlos Machado, da 29ª DP, disse que a prioridade no caso, neste momento é determinar de onde partiu o tiro que matou Claudia. “O foco agora é saber de onde partiu o tiro. É a nossa principal preocupação, agora”, disse o delegado.

*Com informações do jornal O Globo, portal G1 e Jornal Hoje.

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