Poeta e historiador Alberto da Costa e Silva recebe o Prêmio Camões 2014


Por Igor Waltz

30/10/2014


Alberto da Costa e Silva recebeu o Prêmio Camões 2014 na Biblioteca Nacional (Foto: Kathia Mello/G1)

Alberto da Costa e Silva recebeu o Prêmio Camões 2014 na Biblioteca Nacional (Foto: Kathia Mello/G1)

O poeta e historiador Alberto da Costa e Silva recebeu nesta quarta-feira, 29 de outubro, o Prêmio Camões 2014, condecoração concedida anualmente pelos governos brasileiro e português desde 1989. A homenagem é oferecida a escritores que tenham contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. A solenidade, no auditório Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, reuniu a família, amigos e imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), como o escritor Zuenir Ventura e o jornalista Merval Pereira.

Na avaliação do homenageado, o prêmio foi criado para destacar um escritor de língua portuguesa que tivesse contribuído para o prestígio da língua e sua situação do mundo. “Fico muito feliz de ter sido incorporado a essa galeria do prêmio Luís de Camões”, disse o poeta na cerimônia de premiação.

Para o escritor Afonso Romano de Santana, que fez parte do júri que elegeu o Costa e Silva, esse prêmio tem um significado especial pelo trabalho do poeta de aproximar Brasil, África e Portugal.

“O prêmio foi certo em vários sentidos, porque tem que ser um intelectual exponencial de prestígio, mas sobretudo um intelectual que enfrenta a questão de uma maneira nova. É o caso dele, que tenta juntar esse triângulo das bermudas de maneira criativa. A obra histórica dele de historiador e de pesquisador incide nesse sentido. Ele é um exemplo. Depois de Gilberto Freira, ele criou um marco que é fundamental na nossa cultura”, disse Santana.

O prêmio foi concedido em maio deste ano, por decisão unanime do júri, reunido em Lisboa. A premiação foi acompanhada pelo secretário da Cultura de Portugal, Jorge Barreto Xavier. “Mais de 500 anos nos ligam e nos projetam para o futuro, dependendo de pessoas e decisões concretas saber se queremos que a memorai futura nos aproxima ou nos afasta”, disse.

Antes da entrega do prêmio, houve uma mesa de debates sobre a obra de Alberto da Costa e Silva. O ex-ministro do Tribunal de Contas, Luiz Octávio Gallotti, contemporâneo do poeta, lembrou a infância na Tijuca, bairro da zona norte do Rio, e dos tempos de colégio Marista São José e, depois, no Instituto Lafayette. O professor João José Reis destacou trechos de obras de Costa e Silva, o trabalho dele no Itamaraty, quando, entre outras funções, foi embaixador na Nigéria e os livros que escreveu sobre a África. “Alguns são clássicos e se tornaram leitura obrigatória”, disse.

Antônio Carlos Secchin disse que teve a honra de escrever o prefácio da segunda edição dos “Poemas Reunidos”, de Alberto da Costa e Silva, e fez uma síntese da obra poética dele. No fim, Alberto disse que se sentia comovido com o retrato que tinham feito dele no debate. “Eu fiquei comovido pela amizade que foi demonstrada para comigo. É bom ter bons amigos”, ressaltou emocionado.

Carreira

Alberto da Costa e Silva tem 83 anos e é filho do poeta Da Costa e Silva. Membro da ABL desde julho de 2000, ele ocupa a cadeira número 9 e já presidiu a instituição nos anos de 2002 e 2003.

Além de poeta e historiador, ele também é orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e ocupou cargos diplomáticos por muitos anos, tendo sido cônsul na Venezuela e embaixador do Brasil na Nigéria, Portugal, Colômbia e Paraguai. Seu primeiro livro de poemas, “O parque e outros poemas”, foi publicado em 1953. As homenagens durante a premiação destacaram o trabalho de Costa e Silva sobre a África.

Durante o evento o ministério da Cultura anunciou investimentos de R$10 milhões para três ações na área do audiovisual que serão feitas entre o Brasil e os países que integram comunidade de Países de Língua Portuguesa(CDLP).

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