8 de dezembro de 2022


Ney Matogrosso em filme no Macunaíma


10/08/2021


Por Vera Perfeito, Diretora de Cultura da ABI

Cazuza, Chico e Caetano falam de Ney em filme

Cantor, compositor, dançarino, iluminador, ator e diretor brasileiro, além de ex-integrante do conjunto musical Secos & Molhados, Ney de Souza Pereira, o nosso Ney Matogrosso, é focalizado hoje no documentário Olho Nu (2014), com direção e roteiro de Joel Pizzini e que será exibido no Cineclube Macunaíma, a partir das 10hs.

Às 19h30, haverá um debate sobre a obra de 1h41 de duração com o diretor do filme, o cineasta Silvio Tendler, a compositora e cantora Lucina, o compositor e músico paulistano Gerson Conrad e o poeta, escritor, jornalista e ativista de direitos humanos Ramon Mello. O jornalista Ricardo Cota é o mediador. No filme, há depoimentos de Ney, Caetano Veloso, Chico Buarque, Cazuza, Grande Otelo e Ângela Maria, entre outros. Filme e debate serão no canal da ABI do YouTube.

Filme

A partir de um vasto material de arquivo, que inclui shows, videoclipes, entrevistas, aparições em programas de televisão e ainda gravações caseiras, é apresentada a vida do mato-grossense de Bela Vista Ney Matogrosso desde sua infância ao despontar no meio artístico graças à sua voz de timbre raro, passando pela fase em que integrou o grupo Secos & Molhados até alcançar o sucesso em carreira solo.

Filme-ensaio que retrata a vida e a obra de Ney Matogrosso a partir de um conjunto de imagens e sons reunidos pelo artista, em contraponto com sequências atuais. Num espetáculo sobre o percurso musical de Ney Matogrosso, o longa evoca sua história nos palcos e na vida cotidiana. Sem nostalgia ou reverência, “Olho Nu” revela o homem por trás do personagem, sondando as motivações de sua arte, o senso crítico, o caráter libertário e político que permeia seu repertório.

“Subo no palco como se fosse um personagem” – assim o artista se coloca.

Ney de Souza Pereira, mais conhecido como Ney Matogrosso, é o ex-integrante dos Secos & Molhados (1973-1974), sendo o artista que mais sobressaiu do grupo após iniciar sua carreira solo com o disco Água do Céu – Pássaro e com suas apresentações subsequentes.

Ney é considerado pela revista Rolling Stone como a terceira maior voz brasileira de todos os tempos e, pela mesma revista, trigésimo primeiro maior artista brasileiro de todos os tempos. Embora tenha começado relativamente tarde, das canções poéticas e de gêneros híbridos dos Secos e Molhados ele passou a interpretar outros compositores do país, como Chico Buarque, Cartola, Rita Lee, Tom Jobim, construindo um repertório que prima pela qualidade e versatilidade. Em 1983, completava dez anos de estreia no cenário artístico e já possuía dois Discos de Platina e dois Discos de Ouro, inclusive pela enorme repercussão da canção “Homem com H”, de 1981.

Como iluminador de espetáculos, tem supervisionado toda a produção da área em suas próprias apresentações e também merece destaque seu trabalho de iluminação e seleção de repertório no show Ideologia (1988) de Cazuza e no show Paratodos de Chico Buarque, em 1993, ao que afirma: “quero que as luzes provoquem sensações nas pessoas”. Matogrosso também tem atuado recentemente no cinema: estreou em 2008 no curta-metragem Depois de Tudo, dirigido por Rafael Saar, e no filme Luz das Trevas, de 2009, dirigido por Helena Ignez.

Atribuem a sua maquiagem cênica e seu vestuário exótico desde os anos 70 uma certa mudança de conceitos sobre o comportamento masculino apropriado no Brasil. Ele tem imenso magnetismo no palco. A biógrafa Denise Pires Vaz também escreve: “Dos cantores brasileiros, Ney Matogrosso é um dos poucos, senão o único, que pode merecer o título de showman.”

Há um mês, já está nas livrarias outra biografia de Ney, escrita pelo escritor  Julio Maria.

Ele gravou os seguintes LPs:

 

Álbuns : Água do Céu – Pássaro (1975)

Água do Céu- Pássaro (1975), Bandido (1976), Pecado (1977), Feitiço (1978), (1980), Seu Tipo (1979), Sujeito Estranho (1980), Ney Matogrosso (1981), Mato Grosso (1982), …Pois É (1983), Destino de Aventureiro (1984), Bugre (1986), Pescador de Pérolas (1987), A Floresta do Amazonas de Villa-Lobos (1987), Quem Não Vive Tem Medo da Morte (1988), Ao Vivo (1989), À Flor da Pele com Raphael Rabello (1991), As Aparências Enganam (1992), Estava Escrito (1994), Um Brasileiro (1996), Vinte e cinco (1996), Ao Cair da Tarde ((1997), Olhos de Farol (1999), Vivo (2000), Batuque (2001), Ney Matogrosso Interpreta (2003), Vagabundo (2004), Inclassificáveis (2008), Beijo Bandido (2009), tento aos Sinais (2013), Bloco na Rua (2019).

Debate

Os convidados para o debate são:

Joel Pizzini o carioca Joel Pizzini, 60 anos, é um cineasta brasileiro e seu trabalho no cinema inclui direção, roteiro, produção e cinematografia. Começou em 1990 com um filme dedicado ao poeta Manoel de Barros, Caramujo-flor, que, entre outros prêmios, foi escolhido o melhor curta-metragem do Festival de Huelva, na Espanha. De sua filmografia constam alguns filmes premiados como: Anabazys (2007), selecionado para o Festival de Veneza 200 e Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília; Dormente (2005); 500 almas (2004); Enigma de um dia (1996), melhor curta-metragem no Festival de Gramado e Cuiabá.

Lucinaa compositora, cantora e instrumentista cuiabana Lucia Helena Carvalho e Silva durante 25 anos fez parte do duo Luli e Lucina. Fez mais de 500 apresentações em shows pelo país e no exterior com seu projeto de Oficinas de Criatividade, além de gravar mais de 100 composições no duo Luli & Lucina. Fez o programa Encontros com Ney Matogrosso e teve também vários parceiros musicais, entre eles, Zélia Duncan.

Gerson Conrad – o compositor e músico paulistano iniciou sua carreira, em 1973, no grupo musical Secos & Molhados junto com Ney Matogrosso e João Ricardo. Foi responsável por uma das canções mais conhecidas do grupo e da época,  “Rosa de Hiroshima”, um poema de Vinicius de Moraes que ele musicou. No segundo disco do grupo, de 1974, Gérson compôs mais uma canção, “Delírio”. Com o fim do grupo, lançou um LP com Zezé Motta e, em 2013, o livro Meteórico fenômeno: memórias de um ex-Secos&Molhados. Gerson segue compondo e cantando com sua banda “Trupi”. Em 2018, depois de um hiato de 37 anos, lançou seu terceiro disco – “Lago azul”, primeiro álbum lançado desde 1981. Em 2020, Gérson lançou o EP “O fio do meu destino”.

Ramon Mello – Poeta, escritor, jornalista e ativista de direitos humanos. É autor dos livros de poemas Há um mar no fundo de cada sonho, Poemas tirados de notícias de jornal, Vinis mofados. Lançou em 2018, a antologia de poemas Tente entender o que tento dizer: poesia + hiv/aids e o livro de memórias Ney Matogrosso – Vira-Lata de Raça (Ed. Tordesilhas). Participou de diversas antologias e,como repórter, entrevistou mais de 120 escritores brasileiros. Mantém o blog Sorriso do Gato de Alice.

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