Morre Albeniza Garcia, pioneira da reportagem policial


16/01/2014


Albeniza Garcia (Crédito: Agência O Dia)

Albeniza Garcia (Crédito: Agência O Dia)

Morreu na manhã desta quinta-feira, 16 de janeiro, a jornalista Albeniza Garcia, de 84 anos, primeira mulher a trabalhar na cobertura de reportagens policiais. A repórter, que teve passagens pelos jornais O Globo e O Dia, morreu de insuficiência respiratória e broncoaspiração ao dar entrada no Hospital São Vicente de Paula, na Tijuca. O enterro acontece às 17h no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju, Zona Portuária do Rio.

Albeniza dedicou 57 anos ao jornalismo policial, sempre na ocupação de repórter. Sua trajetória começou aos 18 anos, quando ela procurou o então presidente das Organizações Globo, jornalista Roberto Marinho, para pedir uma vaga na editoria de Polícia. O empresário achou que a jovem franzina, com um metro e meio de altura, tinha mais jeito para fazer coberturas de chás-dançantes ou desfiles de moda. Mas Albeniza foi enfática: “Quero a Repol”.

A jornalista recebeu prêmios importantes como o de Direitos Humanos da Sociedade Interamericana de Imprensa, em 1995, pela série de reportagens “A infância perdida”, e o Esso, em 1997, por “Infância a serviço do crime”, ambos em “O Dia”.

A jornalista Hilka Telles, do jornal O Dia, descreve Albeniza como uma “lenda” do jornalismo. “Ela foi a repórter de polícia que ajudou a formar cinco gerações de outros repórteres de polícia. A profissional na qual me inspirei no início de carreira, a quem eu observava atenciosamente para aprender, sorvê-la por inteiro. Como mulher, foi a grande mãe, a máxima avó, a guerreira imbatível que nunca se curvou aos problemas da vida. Albeniza foi, é e será sempre um grande exemplo para todos nós”, descreveu a jornalista.

Vera Araújo, jornalista de O Globo, chefiou Albeniza por cinco anos em O Dia e recorda-se que Albeniza era respeitada também fora do meio jornalístico. “Era tão conhecida por gerações de policiais civis e militares que entrava nos gabinetes sem mesmo bater na porta. E era sempre bem recebida. Muitas vezes, para irritação de outros colegas com menos tempo de profissão que às vezes aguardavam horas por uma entrevista e não conseguiam ser recebidos. Mesmo com a idade, tinha uma vitalidade de fazer inveja. Era a primeira repórter a chegar à redação até mesmo antes de mim. Nem conseguia pautá-la porque já chegava com várias sugestões que rendiam grandes reportagens”, disse Vera.

Para a presidente do Sindicato dos Jornalistas, Paula Máiran, Albeniza representou uma parte importante da história da cobertura de assuntos de polícia no Rio de Janeiro. Paula, que trabalhou com Albeniza, acrescentou que a entidade pretende reunir documentos, fotos e outros objetos num esforço para preservar viva a memória da colega devido a importância dela no jornalismo: “Foram cerca de 50 anos de carreira, acompanhada por várias gerações de jornalistas Albeniza era do tipo de repórter que nunca desistia de buscar uma boa história”, disse Paula.

Ao longo da vida, Albeniza colecionou histórias na profissão. Um dos casos mais curiosos ocorreu no sequestro do empresário Roberto Medina em 1990. O sequestrador Mauro Luis Gonçalves de Oliveira, o Maurinho Branco, ligou para O DIA porque desejava que a jornalista cobrisse a libertação de Medina. Ele só libertaria o empresário na presença da jornalista.

Albeniza pensou que fosse um trote e desligou duas vezes antes de ser convencida numa terceira ligação quem era o interlocutor. Por pouco, quase não acompanhou uma de suas grandes histórias da profissão.

Acompanhada de fotógrafo e de dois advogados, Albeniza encontrou-se com o sequestrador na Zona Norte. Maurinho cumpriu o prometido e Medina foi libertado, sendo levado a uma delegacia pela repórter. Na ocasião, o bandido deu a ela como presente um gavião.

Albeniza Garcia deixa três filhos e quatro netos.

*Com informações do jornal O Dia e O Globo.

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