Marcelo Carnaval: Nas guerras da cidade


28/07/2015


Carnaval - por Olga ValhoupO interesse de Marcelo Carnaval pela fotografia começou com uma alternativa para ocupar o tempo ocioso depois de passar para a faculdade de Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Visando a acabar com seu objetivo e ficar apenas indo à praia nas horas vagas, o pai lhe sugeriu fazer dois cursos: de fotografia e de datilografia.
— No primeiro, surgiu a paixão e o foco do meu estudo em Jornalismo. O segundo eu não completei, porque tinha ódio de errar e máquina de escrever não apaga.

No último dia 12, completaram-se 20 anos da publicação de sua primeira foto, tirada na Praça Nossa Senhora da Paz para uma matéria de domingo do Jornal do Brasil. Professor de Educação Física — faculdade que cursou paralelamente à de Jornalismo — antes de se firmar como repórter-fotográfico, Marcelo descreve as características que considera fundamentais para o fotojornalista:
“Pelas lembranças e as dificuldades locais”, Marcelo considera toda cobertura internacional interessante — aqui, os destaques são as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, os Jogos Pan Americanos do Canadá, em 1999, e o trabalho da Força de Paz Brasileira em Moçambique, em 1998. Mas ele também gosta de cobrir conflitos urbanos:

— É bom receber pautas como o quebra-quebra de ônibus na Rio Branco, a pancadaria no leilão da Vale e a cobertura do ônibus 174. São situações-limite, nas quais você tem que pensar e agir rápido. Ao longo da carreira, Marcelo conquistou alguns prêmios. No entanto, diz que se lembra mais dos que perdeu:

— Fui finalista do Esso, do Embratel e do Líbero Badaró e jamais ganhei um desses importantes troféus. Mas é claro que não me esqueço do primeiro prêmio recebido, que foi o Ibéria, em 1996;

Marcelo trabalha atualmente com câmeras digitais para fazer tudo e não concorda com alguns veteranos que dizem que elas tiraram o charme da fotografia:

— Só fala isso quem nunca teve que viajar carregando um laboratório fotográfico.Você se trancava em um banheiro de hotel,revelava filmes, fazia cópias e transmitia com uma máquina da UPI que mais parecia um mimeógrafo. Não havia nenhum glamour nisso. O banheiro virava um chiqueiro de químicas, com as quais você tinha que ficar convivendo durante os dias de cobertura.

Em serviço, já esteve em algumas situações de risco:

— Já atiraram em mim em morros do Rio e na selva da Guiana, tomei pedradas e parei no hospital algumas vezes. O risco faz parte da profissão, não dá para ficar contabilizando ou lamentando. Hoje acho que não dá mais para abusar da sorte em favelas.

Marcelo considera que qualquer fotógrafo que esteja trabalhando em algum jornal do Rio de Janeiro é um bom profissional e dá dicas para quem quer ingressar nessa área:— Em um mercado em que não existem cem pessoas contratadas,não dá para ter alguém “mais ou menos” na equipe.. O interessado deve insistir. O mercado é mínimo, mas a profissão vale a pena.

A trajetória de Marcelo Carnaval como repórter-fotográfico inclui passagens por grandes veículos. Seu primeiro emprego foi no Jornal do Brasil, para onde foi em 1985 para cobrir os fins de semana — a pedido próprio, porém, trabalhava todos os dias,embora recebesse apenas pelos sábados e domingos. Depois de um ano e meio, foi contratado, até que,em junho de 1988,foi para a sucursal carioca de Veja. Após um ano e meio, aceitou o convite feito pelo então Editor de Fotografia do Globo, Aníbal Philot, e está lá desde então.

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