Ari Gomes: Com a fotografia e o esporte no sangue


11/08/2015


Ari GomesCarioca, 60 anos, Ari Gomes é um dos mais conceituados fotógrafos de esportes do País. Ele participou da cobertura de cinco Copas do Mundo, quatro Olimpíadas e do maior torneio de vôlei de praia do mundo, o Circuito Banco do Brasil, desde sua criação em 1991. Tendo sempre o esporte como foco principal de sua câmera, presenciou também a primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1, em 1985, no circuito de Estoril, em Portugal; o dia em que João do Pulo bateu o recorde mundial do salto triplo no México, em 1975; e as conquistas do vôlei brasileiro, como a medalha de ouro da seleção masculina em Barcelona, em 1992, e o bronze conquistado pela eleição feminina em Sydney, em 2000. Na verdade, a fotografia e o esporte estão no sangue de Ari: como ele próprio, seu ai, Ângelo; o tio, Sérgio; e o irmão, Paulo, todos trabalharam no Jornal dos Sports e em editorias de  Esporte de outras publicações, onde agora faz carreira Ari Filho.
— O fotógrafo Ari Gomes acompanhou de perto a trajetória de conquistas do esporte brasileiro. A objetiva da câmera sempre fechada no detalhe, no sentimento. O talento de Ari está no DNA. Nos anos 40 e 50, seu pai, Ângelo Gomes, foi a grande estrela da imagem esportiva. Era um mestre do flagrante com sua Speedcraft. Ari saiu ao pai — declarou o cronista esportivo Armando Nogueira.

Aos 12 anos de idade, o menino que desde cedo acompanhava o pai às redações teve sua primeira foto publica da no Jornal dos Sports. O vínculo com o jornalismo e com o esporte jamais seria interrompido.

Além do talento herdado em casa, ele considera que sua grande escola foi o privilégio de ter trabalhado com jornalistas como Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó e João Saldanha — “daí veio a base de tudo”, diz timidamente Ari, que é considerado por colegas de  profissão e atletas flagrados por suas lentes como um craque do fotojornalismo esportivo. Pelé é um deles:
— O fotógrafo de futebol sempre me fascinou. Existe uma conexão instantânea entre a bola, os pés e os seus olhos por trás da câmera. Na minha época, o que mais me admirava nos fotógrafos era ver os jornais do dia seguinte aos jogos. O Ari Gomes, depois de registrar os momentos mágicos da arte do futebol, descobriu o espaço aéreo entre a bola e as mãos que desafiam a gravidade.

Ari concorda em que os esportes oferecem grandes possibilidades aos profissionais de fotografia, pois exigem “que eles avaliem ao mesmo tempo todos os aspectos que envolvem velocidade, fundo, luz e lentes”. O resultado desse apuro técnico pode ser constantemente visto em exposições por todo o País.
— As fotos de Ari Gomes traduzem o suor, a risada, o choro e os dramas das conquistas de cada um de nós — resume a jogadora de vôlei Isabel.

Eventos
Ari começou a fotografar “para ganhar uns trocados” aos 12 anos de idade, incentivado pelo pai. Num domingo, escalado para cobrir um campeonato de pesca na praia do Flamengo, usando uma Roleiflex registrou o torneio dos pescadores e teve a sua foto publicada no Jornal dos Sports.
— A fotografia é tudo para mim. Eu sou do tempo do romantismo da fotografia em preto e branco. Tudo o que eu vejo é através da imagem e do corte. O dia que eu parar de fotografar, sinceramente, não sei qual será a grande motivação da minha vida.

Durante 25 anos, Ari Gomes foi repórter-fotográfico do Jornal do Brasil. Trabalhou também na revista Placar e atualmente dedica-se à cobertura de eventos esportivos e à administração do seu banco de imagens, Kaye Gomes Eventos Ltda. Ari Gomes conta a história de cada foto aqui reproduzida.