18 de agosto de 2022


Mais um jornalista é queimado na Índia em menos de 15 dias


Por Cláudia Souza*

24/06/2015


Sandeep Kothari em imagem divulgada pela emissora Focus News

Sandeep Kothari em imagem divulgada pela emissora Focus News

Policiais da região central da Índia prenderam nesta segunda-feira, 22, três homens suspeitos do sequestro seguido de ataque a Sandeep Kothari, cujo corpo foi encontrado carbonizado próximo a uma linha férrea no estado de Maharashtra neste sábado, dia 20. Kothari trabalhava como freelancer para vários jornais de língua hindi, entre os quais o “Nayi Duniya”.

Sandeep Kothari, de 40 anos, foi sequestrado em sua residência localizada em Balaghat, no estado de Madhya Pradesh, no último dia 19. A imprensa local denuncia que o repórter pode ter sido agredido em razão das matérias que escreveu sobre a mineração ilegal de areia na região. Os jornalistas afirmam ainda que a categoria está sendo vítima de perseguição e intimidação por parte de policiais, políticos e empresários indianos.

De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras-RSF, a Índia ocupa a 136ª posição no ranking de 180 países no relatório “Índice de Liberdade de Imprensa Mundial”.

A família de Kothari também acredita que o crime esteja relacionado às reportagens sobre mineração de areia ilegal e a um processo judicial movido contra o jornalista por proprietários de empresas de mineração.

A morte do repórter é a mais recente de uma série de ataques semelhantes contra profissionais de comunicação na Índia. De acordo com a polícia local, ainda não é possível afirmas se os casos estão relacionados. “Estamos apurando o crime de todos os ângulos, mas ainda é prematuro concluir o motivo do sequestro e do assassinato”, disse o oficial de polícia J. Markam à Press Trust of India, maior agência de notícias do país.

De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras-RSF, a Índia ocupa a 136ª posição no ranking de 180 países no relatório “Índice de Liberdade de Imprensa Mundial”.

Sumit Galhotra, do Comitê de Proteção aos Jornalista-CPJ, coordenador para países asiáticos, repudiou a morte de Sandeep Kothari e cobrou providências das autoridades:

— O terrível assassinato de outro jornalista em menos de duas semanas é alarmante e sintomático da cultura arraigada da Índia de impunidade. Instamos as autoridades indianas a iniciarem uma investigação independente sobre a morte do repórter, identificar o motivo e encaminharem os responsáveis à Justiça.

Prisão

No último dia 11, a polícia prendeu o ministro indiano Ram Murti Verma, acusado de participar do assassinato do jornalista Jagendra Singh, responsável pelo jornal independente “Shahjahanpur Samachar”. Em seu perfil pessoal no Facebook, o repórter, que reunia mais de 3 mil seguidores, publicou uma série de matérias denunciando o envolvimento de Ram Murti Verma nos seguintes crimes: atividades ilegais em mineração, ocupação ilegal de terras e estupro.

No inquérito, autoridades acusam o ministro e mais quatro suspeitos de crimes de homicídio, censura, ameaça de morte e formação de quadrilha.

Ataque

De acordo com parentes de Singh, o jornalista foi atacado por integrantes da polícia envolvidos com o político. O grupo foi enviado por Ram Murti Verma à casa do jornalista no dia 1º de junho último e ateou fogo no corpo do repórter, que permaneceu internado durante mais de uma semana em um hospital na cidade de Lucknow, capital de Uttar Pradesh. Singh morreu no último dia 8, em decorrência dos ferimentos.

Segundo informações do site “IBN Live”, as denúncias de Singh despertaram a ira do ministro, que fez uma falsa acusação contra o jornalista para que ele fosse preso. No entanto, os parentes do repórter afirmam que a polícia indiana nunca teve a finalidade de prendê-lo. Um porta-voz do governo indiano, por sua vez, alegou que foi à casa do jornalista para prendê-lo, mas que Singh teria cometido suicídio ateando fogo ao próprio corpo.

A Anistia Internacional (AI) solicitou apuração rigorosa deste assassinato ressaltando tratar-se de “um ataque horrível que revela os perigos que os jornalistas enfrentam na Índia.”

Fonte: BBC News

 

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