Interesse brasileiro


18/01/2006


Ciência é um assunto que atrai o povo brasileiro — já no fim dos anos 80, 70% da população urbana do País se interessavam pelo tema, segundo pesquisa do Instituto Gallup. Embora sejam de 18 anos atrás, os dados apontam que “este percentual sobe para 70% da população adulta brasileira” e que “esses números revelam a existência de uma grande demanda potencial pelo jornalismo científico e por revistas de popularização das ciências em geral, inclusive mostrando a necessidade de ser empreendido um grande trabalho de divulgação científica”.

Na visão do professor Fernando Rochinha, diretor acadêmico da Coordenação do Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o único erro das revistas especializadas nacionais é não valorizar os acadêmicos e pesquisadores brasileiros em suas reportagens. Mesmo assim, considera que elas cumprem um papel essencial e têm edição e conteúdo de boa qualidade:
— Acho até que elas se esforçam para empregar uma linguagem que seja adequada para diversos públicos. Gosto muito da linha editorial da Galileu, porque ela tem um viés apropriado para o leitor juvenil, o que estimula o ensino da ciência.

Hélio Santos, editor-chefe da Galileu — lançada em agosto de 93 pela Editora Globo —, diz que a qualidade das fontes é o maior patrimônio conquistado pela revista, “que tem conexões valiosas na Academia Brasileira de Ciências”.
— Também não podemos ignorar as fontes estrangeiras, em órgãos como a Nasa, por exemplo. Basta lembrar que fomos um dos poucos aqui a entrevistar o coreano Hwang Woo Suk, ex-líder mundial nas pesquisas de células-tronco, antes que seu trabalho caísse em desgraça por conta de fraudes vergonhosas em suas pesquisas.

A redação da revista conta com editor-chefe, editor-assistente, editora de arte e quatro repórteres especializados em diferentes áreas:
— Também temos total abertura para trabalhar com freelancers. Idéias originais, com um tempero diferente do que costumamos ter todos os meses, sempre são bem-vindas — diz Hélio.

Laura Knapp

Edição nacional

Outro veículo apreciado no meio acadêmico é a revista Scientific American, que no ano passado ganhou sua edição Brasil, com cem páginas e tiragem média de 70 mil exemplares. Sua redação é composta por editor-chefe, editor-assistente, editor e editor-assistente de arte, além de suporte de iconografia e revisão. A maioria das matérias é escrita pelos próprios pesquisadores; reportagens e tradução são feitas por freelancers.

Laura Knapp, editora responsável pela Scientific American Brasil, diz que a principal característica da revista é falar para um público que tem bastante conhecimento de uma ou mais áreas da ciência. Por isso as matérias publicadas são profundas e de nível acadêmico, ainda que com linguagem jornalística:
— Mesmo assim, somos uma revista de divulgação científica. O nível de nossas matérias não é “fácil”, isto é, elas contêm informações sobre o estado da arte da pesquisa mundial, mas não estamos direcionados somente aos estudiosos da área. Somos uma revista feita para o público em geral, com certa base sobre os assuntos que publicamos.

Segundo ela, geralmente as pautas são balanceadas entre o que se produz no Brasil e no exterior e, em média, são publicadas duas matérias escritas por pesquisadores brasileiros ou que versem sobre pesquisas nacionais. No caso das matérias internacionais, é feita uma avaliação para saber se há necessidade de complementação com fontes daqui.

Para o biólogo Mário Moscatelli, professor de Gerenciamento de Ecossistemas do  Centro Universitário da Cidade, a Scientific American Brasil é interessante pelo arco de informações que oferece:
— A edição nacional trata de assuntos muito diversificados com profundidade, principalmente nos artigos científicos. Confesso que muitas vezes alguma coisa me escapa à compreensão porque não está no meu universo de estudo, mas a revista me proporciona uma verdadeira viagem pelo mundo da ciência. Para quem como eu gosta de física quântica e ficção, é uma possibilidade de sonhar mais alto.

 

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