Hoje é Dia de Livro


13/06/2023


Por Maria Luiza Busse, diretora de Cultura da ABI

O militante intelectual Wladimir Pomar faleceu no início deste mês de junho, aos 86 anos. Na ausência do observador sensível e pensador original, fica o importante livro do autor que soube ler a China a partir dela mesma.

O Enigma chinês – Capitalismo ou socialismo

O livro de Wladimir é considerado uma literatura completa sobre a ascensão da Nova China, processo de transição econômica iniciado por Deng Xiaoping que assumiu o governo após a morte de Mao Tse-tung. A partir de profunda investigação e compreensão da cultura formadora da civilização milenar que sempre amalgamou passado e presente, o autor construiu as bases para qualificar o debate em torno do socialismo de característica chinesa que até hoje ainda é designação enigmática para grande parte do pensamento ocidental de esquerda.

A seguir, um trecho: “Naqueles países socialistas em que a economia mercantil não é oficialmente permitida, em virtude de que a ideia de admiti-la seria admitir o capitalismo, ela acaba se manifestando subterraneamente de mil e uma maneiras. Na maioria dos casos, ela é tolerada, pois caso contrário muitos serviços indispensáveis à vida diária da população sofreriam colapso. Na China atual, o Estado decidiu não só admiti-la oficialmente, como aproveita-la ao máximo para aumentar o ritmo de desenvolvimento das forças produtivas e atender à demanda social de determinados bens e serviços. (…). Mas existem marxistas que supõe ser possível, tomado o poder, fazer com que os homens passem a ser donos do próprio destino e possam fazer sua própria escolha. O Estado tudo poderia, em nome da classe operaria(…) apoiado no regime econômico socialista operário, antagônico ao capitalismo em todos os aspectos, o Estado estaria em condições de seguir um ritmo crescente de socialização. A experiencia tem demonstrado quão complicado é isso e os problemas que tem gerado não só na economia, mas muito especialmente na política. Para enquadrar as leis da economia e as relações sociais em esquemas teóricos inflexíveis tornam-se necessárias medidas administrativas de toda ordem, elevando o Estado a tutor da sociedade. Por esse caminho, a democracia fenece e a projetada ditadura da maioria transforma-se, mais uma vez, numa ditadura da minoria”. Editora Alfa-Omega.