Governo francês contradiz Le Monde


15/09/2010


Membros do Governo e representantes dos órgãos de polícia e do serviço de espionagem da França deram declarações públicas, na última terça-feira, 14 de setembro, contradizendo o jornal Le Monde sobre o caso das investigações articuladas pelo Palácio Eliseu (Gabinete da Presidência), para identificar a fonte que vazou para o veículo informações sigilosas sobre o escândalo envolvendo o grupo L’Oreal.
 
 
Na terça-feira, 14 de setembro, o Le Monde anunciou que ia processar o Gabinete do Presidente Sarkozy por ter agido de maneira ilegal para identificar o informante. No dia anterior, já havia criticado o Governo através do artigo “Affaire Woerth: o Eliseu violou a lei sobre o segredo das fontes jornalísticas”, da diretora de Redação, Sylvie Kauffmann, no qual acusa o Palácio Eliseu de “ter empregado métodos que infringem a lei de proteção das fontes” ao ordenar que a Direção Central de Informação Interior (DCRI) espionasse o autor do vazamento da informação.
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Segundo notícia publicada pelo Estadão, o Ministro do Interior da França, Brice Hortefeux, tentou justificar a atuação da DCRI dizendo que o Governo “tem o dever de investigar vazamento de informações”, mas que não tinha ordenado a espionagem sobre o informante do Le Monde. “Não houve nenhuma ordem, nenhum pedido do Palácio do Eliseu, em nenhum nível, não houve nenhum pedido de escuta telefônica”, declarou Hortefeux.
 
Brice Hortefeux disse que o objetivo da Presidência era proteger dados confidenciais de Estado e que para isso era preciso identificar e exonerar o funcionário, que teria agido de “maneira desleal”. Já o diretor da DCRI, Frédéric Péchenard, defendeu que não houve quebra de sigilo, pois o órgão agiu com base na hipótese de “investigação de pessoa qualificada”, condição que autoriza a espionagem.
 
Entretanto, os argumentos dos representantes do Governo francês foram desmentidos pelo diretor-geral da Comissão Nacional de Controle das Interceptações de Segurança (CNCIS), Remi Récio, que declarou ao Le Monde, que a espionagem não poderia ser considerada como “investigação de pessoa qualificada” pois só se enquadraria “em casos de prevenção ao terrorismo”.
 
 
* Com informações do Estadão e do Portal Imprensa.

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