Funções que fazem a diferença


09/02/2007


 Rosana Silveira

Das quatro revistas semanais de informação brasileiras, Veja é a única que tem uma equipe que se encarrega somente de fazer a checagem das matérias. O Diretor de Redação, Eurípides Alcântara, diz que para eles este trabalho é considerado é vital para garantir um resultado final com o menor número de erros possível. Ele lembra que, com a facilidade de acesso quase instantâneo a fontes confiáveis na internet (enciclopédias, dicionários e arquivos de universidades, jornais e revistas), a checagem primária tende a ficar cada vez mais a cargo dos próprios repórteres. E afirma que a multiplicidade de novas ferramenta faz com que, aos poucos, os checadores sejam liberados para uma função muito mais nobre, que é a de zelar não apenas pela qualidade, mas principalmente pela lógica interna da informação.

Desde 1999, quem coordena a equipe de checadores da Veja é a jornalista Rosana Silveira, que começou a trabalhar na revista em 1995:
— Somos uma equipe de quatro jornalistas. A tarefa do checador é conferir os dados que serão publicados. É parte de um trabalho conjunto, cujo objetivo é zelar pela acuidade das informações oferecidas aos leitores — diz ela..

A checagem foi criada com inspiração na Time Magazine. Rosana não sabe informar ao certo quando esse serviço foi implantado na Veja, mas sabe que desde os anos 80 há uma equipe designada para essa função de rever as matérias depois de finalizadas e liberadas pelo Diretor de Redação:
— A checagem é sempre feita perto dos horários de fechamento. É uma das últimas etapas da produção da revista. Eventuais mudanças de última hora não alteram a dinâmica do trabalho, que tem de ser rápido e objetivo.

Construtor final

                            Marco Damiani

Na IstoÉ, existem três editores-executivos de área cuidando do fechamento de três editorias distintas. Eles são os construtores finais das matérias, mas quem dá a última palavra é sempre o Diretor Editorial. Se depois de a reportagem passar por todas essas etapas ele achar que o assunto não está bem conduzido, o texto tem que ser refeito.

Segundo Marco Damiani, cabe ao construtor final supervisionar o trabalho, mas com a obrigação também de apurar matérias. Cada editor-executivo, por sua vez, cuida de um grupo de editorias, a partir do qual distribui o trabalho para as sucursais do Rio e de Brasília e Rio, para o correspondente em Nova York e, se necessário, para os frilas:
— Sou o editor-executivo responsável pelas editorias de Política, Economia e Assuntos Nacionais (Brasil) — diz ele. — Minha função, além das já citadas, é estar muito por dentro dessas áreas, coordenar os editores, ajudar na pauta das fotos, receber os textos e imprimir, quando necessário, a forma final. Acima dos editores-executivos está o Diretor de Redação, com palavra final sobre tudo.

A estrutura da revista pode ser considerada piramidal. Tem na base os repórteres — encarregados de apurar a maioria das matérias —, depois os subeditores — que fazem um primeiro copidesque e apóiam o fechamento — e, acima, os editores responsáveis pelas seções específicas — que se responsabilizam pela pauta e coordenam o trabalho dos repórteres.

Marco Damiani trabalha com 12 profissionais sob sua supervisão, incluindo editores, repórteres e pessoal das sucursais. A troca de informações com a equipe é constante, por e-mail e telefone:
— A base de tudo é a leitura dos jornais do dia, a escuta das rádios, o olhar na TV e, claro, a atenção na concorrência. Temos de falar sempre com muitas fontes nossas. Minha função é estimular isso e fazer com que o pique se mantenha forte.

Até chegar às mãos do editor-executivo para a redação final, o texto percorre várias etapas:
— Era mais trabalhoso quando as matérias eram produções coletivas e iam para as páginas sem a assinatura dos autores. Agora, por exigência das redações, os profissionais já têm o chamado texto final. Mas é claro que sempre se pode dar um ajuste, principalmente em relação ao tamanho. É que não faz barulho, mas nas redações toda hora tem estouro (no jargão jornalístico, quando a matéria ultrapassa o tamanho previsto para ela na página). Também é comum dar branco (ou seja, faltar texto), mas isso é bem mais raro. Enfim, esses ajustes todos estão dentro, como dizia o saudoso Jorge Escosteguy, dentro do meu holerite (ou, para os cariocas, contracheque).

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