10 de agosto de 2022


Filme Callado no Encontros da ABI com a Cultura


04/02/2021


O programa quinzenal Encontros da ABI com a Cultura, ao vivo e on line, entrevista nesta quinta-feira, 4, às 19h30, no canal da Associação Brasileira de Imprensa no YouTube, duas conhecidas jornalistas e ex- JB: Ana Arruda Callado, do Conselho Consultivo da ABI, e Emília Silveira que se tornou cineasta. Seu último longa acaba de estrear nas salas de cinema do Rio: o documentário Callado sobre a vida do jornalista e escritor Antonio Callado, marido de Ana e a quem ele dedicou um de seus livros, Reflexos do baile. O casal passou por prisões na ditadura.

O documentário flagra o desalento de Callado quando um grupo de intelectuais arma uma manifestação em frente ao Hotel Glória, em 1965, no segundo ano da ditadura brasileira, para protestar, no Rio, contra o discurso do marechal Castelo Branco em uma reunião da OEA, organização que só se reúne em países democráticos. Ao invés de milhares de pessoas, só apareceram oito intelectuais, que ficaram conhecidos como “Os oito do Glória”, entre os quais Callado, além dos também jornalistas e escritores Marcio Moreira Alves e Carlos Heitor Cony; os cineastas Glauber Rocha, Mario Carneiro e Joaquim Pedro de Andrade; o embaixador Jayme de Azevedo Rodrigues – recém afastado do Itamaraty; o diretor teatral Flávio Rangel; e o poeta Thiago de Mello. Na verdade, eles eram nove, mas Thiago de Mello conseguiu escapar da prisão no Dops. Os protestos contra a prisão começaram ,e até do exterior, com o escritor Alberto Moravia e os cineastas Luis Buñuel, Pier Paolo Pasolini e Jean-Luc Godard.

Emília Silveira começou a carreira de jornalista no Caderno B do Jornal do Brasil onde ficou por alguns anos, transferindo-se depois para a TV Globo, de onde foi diretora geral e autora de programas musicais e dirigiu séries como Tá no quadro e Expedição Água e, na Globonews, séries documentais como Cartola, Bossa Nova e Tom Jobim. Dirigiu ainda os longas Setenta (2014) e Galeria F (2016) sobre fatos ligados à ditadura brasileira; Silêncio no estúdio (2017) sobre a apresentadora, jornalista e escritora Edna Savaget, além de Tente entender o que tento dizer sobre pessoas que vivem com HIV. Seus próximos trabalhos serão Sem saída sobre o sistema carcerário feminino e a série Feliz aniversário sobre a atuação de grupos neonazistas no país.

Ana Arruda Callado, a décima segunda filha de 15 irmãos, nasceu em Recife e fez toda sua carreira jornalística e acadêmica no Rio. Doutora em Comunicação Social foi a primeira mulher a chefiar uma redação no Brasil no Diário Carioca, passando também pelo JB, Tribuna da Imprensa, O Sol, revista Senhor e jornais da TV Rio. Recebeu prêmios em sua carreira acadêmica e entre seus livros destacam-se a biografia de mulheres como Darcy Vargas e Maria Martins.

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