30 de setembro de 2022


Fernando Maia, um fotógrafo essencialmente urbano


21/10/2021


Texto e curadoria de Alcyr Cavalcanti, conselheiro da ABI, presidente da ARFOC.

Réveillon 2020 em Copacabana. Fernando Maia/Riotur

ES 12.06.2010 Johannesburgo / Africa do Sul. Copa do Mundo 2010 Treino da Coreia do Norte no Est·dio Makhulong Foto Fernando Maia / AgÍncia O Globo

Fernando Maia é um carioca essencialmente urbano, que não gosta de dias nublados, nem de sinal fechado. Nasceu e foi criado no Arco do Teles, região central da cidade. Formado em Jornalismo pela Gama Filho começou em um jornal de bairros, o Bom Dia que fazia cobertura na Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Maia fez toda sua vitoriosa carreira no jornal O Globo onde em seus vinte e cinco anos no departamento fotográfico sempre procurou a boa imagem. Maia transitou pelas mais diversas pautas, de simples entrevistas a três Copas do Mundo, Olímpiadas, posse de presidentes e muitas viagens internacionais. É um fotojornalista pleno, capaz de fazer imagens marcantes em pautas relativamente simples. Atualmente se dedica a produzir desde 2012 um banco de imagens do Rio de Janeiro, em especial de fotografias aéreas obtidas através de sua câmera Canon 5D. Em 2018 foi o fotógrafo brasileiro convidado para participar do livro “Rio-Pequim, duas avenidas centenárias”, com imagens atuais da Avenida Atlântica. As imagens das duas avenidas emblemáticas mostradas no livro foram posteriormente exibidas em ampliações fotográficas na cidade de Pequim e fazem parte do intercâmbio cultural entre os dois países. 

Fernando Maia teve seu “batismo de fogo” quando foi fotografar o Atentado ao Riocentro, em uma noite de 30 de abril de 1981 que ficou para a história. Teve seu equipamento apreendido pelas forças de segurança sob a alegação que estaria violando uma situação que poderia por em risco a segurança nacional. Mas a violência não o intimidou, continuou sua batalha diária, mesmo tendo aprendido que a utilização da imagem nem sempre é bem-vinda, principalmente pelos agentes da criminalidade. Começou então uma vitoriosa trajetória no jornal O Globo onde participou das várias transformações que o Fotojornalismo passou, do final do século XX para o início do século XXI onde a tecnologia passa a dominar. Veio à sua lembrança do dia em que chegou ao prédio da Rua Irineu Marinho onde o Tri-X da Kodak reinava absoluto, depois foi a vez dos cromos, em seguida o negativo colorido até a chegada da tecnologia digital, para ele uma revolução no Fotojornalismo que veio facilitar em muito a transmissão de imagens.

Sua primeira grande cobertura internacional foi o Mundial de Juniores em Portugal no ano de 1991. Foi também o início de uma série de competições esportivas que moldaram sua técnica e proporcionaram também uma série de viagens internacionais. Fernando considera o atletismo um grande desafio, devido à diversidade de competições que exige além de um grande domínio técnico, um equipamento diversificado. Uma de suas maiores emoções foi fotografar o homem mais veloz do mundo Usain Bolt para a Agência EFE durante os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Outro grande momento foi o prêmio da melhor fotografia que recebeu ao registrar a vitória de Alain Fontelles sobre o imbatível Pistorius durante a Paraolimpíada. Lembra também emocionado a viagem em agosto de 2004 a Porto Príncipe capital do Haiti acompanhando a seleção brasileira de futebol, a população imersa em uma guerra fratricida deixou de lado a violência e foi toda ela aplaudir nossos craques. A ideia da “diplomacia da bola” idealizada pelo presidente Lula foi promover a Paz e acabar com a matança que acontecia, onde irmãos guerreavam contra irmãos. Foi a prova da importância do futebol como uma forma de pacificação.

Fernando Maia contesta a opinião pessimista de que o Fotojornalismo tenha chegado ao seu final. Para ele “O Fotojornalismo não acabou, quem procura acabar com a sua importância é o mercado que procura impor padrões conforme seus próprios interesses.  O autêntico Fotojornalismo nunca vai ter fim, é a Imprensa que passa por uma crise de identidade e deve procurar superá-la ”

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